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Embraer sobe na B3 com aumento de expectativa de parceria com a Boeing

02/02/2018 12h21

(Atualizada às 15h15) As ações da Embraer operam em forte alta nesta sexta-feira (2) na B3 e lidera o Ibovespa. O grande volume de negócios é influenciado pela expectativa de que a brasileira está mais próxima de um modelo que permita combinar negócios com a americana Boeing.


Por volta das 15h15, a ação ON da Embraer subia 4,90% cotada a R$ 21,40.


O site do O Globo divulgou hoje nota da jornalista Miriam Leitão segundo a qual Embraer e Boeing concordaram em criar uma terceira empresa. Esse modelo já estava na mesa das duas empresas, conforme oValor revelou em reportagem no dia 2 de janeiro, e ganhou força em meados de janeiro, conformereportagem publicada também no Valor em 19 de janeiro.


Essas reportagens sinalizam que as tratativas, que foramconfirmadas pelas duas empresasem 21 de dezembro do ano passado, estão mais próximas de um termo que agrade o governo brasileiro. Por ter uma golden share desde a privatização, o Brasil tem poder de veto sobre algumas mudanças na Embraer.


O presidente Michel Temer chegou aafirmarde forma categórica que a mudança no controle da Embraer não será aceita.


Por isso, ganhou força a construção de um modelo de parceria por meio da qual Embraer e Boeing criem uma terceira empresa (joint venture), com foco inicial na área de aviação comercial, segmento de mercado na qual as duas são complementares. A brasileira produz jatos para até 150 passageiros, no qual é líder mundial, enquanto a americana tem produtos com mais de 160 assentos.


Na última quarta-feira (31), o presidente do conselho da Boeing, Dennis Muilenburg, disse que as negociações com a Embraer continuam, mas ponderou que o plano de crescimento de longo prazo da companhia não depende dessa sociedade. "Continuamos com conversas produtivas. Vemos uma grande complementaridade com a empresa", disse o executivo, em teleconferência de resultados ontem (1º).


Dennis Muilenburgadmitiu que há ainda a necessidade de convencer o governo brasileiro sobre o negócio. "O governo do Brasil tem preocupações legítimas", afirmou. "Mas estamos esperançosos que teremos um acordo", disse.


O presidente do conselho da Boeing reiterou que a empresa tem uma relação de parceria há bastante tempo com a brasileira, rebatendo a tese de que a busca de uma combinação com a Embraer foi uma resposta à sociedade fechada ano passado entre a francesa Airbus, principal concorrente da fabricante americana, e a canadense Bombardier.


Muilenburg apontou que a estratégia de longo prazo da Boeing não depende da Embraer. Ele assinalou que a fabricante americana tem um programa para a aviação comercial em que busca melhorar margens e lançar produtos. Um exemplo é a possibilidade de criar um novo modelo médio, para ocupar a lacuna de mercado entre os atuais 737, aviões de 160 a 200 assentos, e os 787, com mais de 250 lugares.


O executivo lembrou que a reforma tributária nos Estados Unidos que reduziu impostos de empresas aumenta o fôlego da Boeing para investir em pesquisa e desenvolvimento de produtos.


A Boeing também quer ampliar a estratégia de "verticalização", disse Muilenburg, por meio da aquisição ou parcerias com empresas na cadeia de produção, citando compras no ano passado, como a de uma fabricante de assentos. Outra fonte de crescimento para receitas e margens, citou Muilenburg, é a unidade de serviços, na qual a Boeing pretende atingir US$ 50 bilhões em vendas no longo prazo.


A Boeing fechou 2017 com lucro líquido de US$ 8,20 bilhões, 67% acima de 2016, enquanto a receita caiu 1% para US$ 93,39 bilhões. Já o lucro operacional fechou o ano com incremento de 76%, atingindo US$ 10,28 bilhões.


A Embraer divulga balanço de resultados no próximo dia 8 de março.

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