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Juros futuros médios e longos sobem, com exterior e Previdência

A continuidade do ajuste de baixa internacionalmente voltou a pesar sobre o mercado doméstico de renda fixa. Os juros de prazos médio e longos tornaram a subir nesta segunda-feira.Poucos analistas, porém, arriscam dizer que o mau humor externo veio para ficar.


Assim, haveria menor risco de contágio aos juros locais, também porque o mercado evita projetar disparada do dólar. Isso não invalida, contudo, visões de que o Banco Central poderia decretar nesta semana o fim do ciclo de afrouxamento monetário. "Com toda essa questão da política monetária americana deixando dúvidas, não duvido que o BC deixe claro que, mantido o status quo, manterá o juro em 6,75%", diz um profissional de banco que preferiu não ser identificado.


As apostas dos investidores projetam 100% de probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual da Selic na próxima quarta-feira. Para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, as investidas apomtam 24% de chance de corte na mesma magnitude, contra 26% na sexta-feira passada.


Se os juros mais curtos têm reação limitada aos desdobramentos externos, as taxas de médio e longo prazos capturam com mais força o ambiente arisco. Isso explica as altas dos DIs de vencimentos a partir de 2021, justamente os que mais atraíram demanda de investidores recentemente.


Esses contratos foram os que mais se valorizaram após a condenação de Lula pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Com isso, têm mais "gordura" para queimar neste momento de ajuste de preços. Mas são também mais vulneráveis ao noticiário fiscal. Com as dificuldades do governo em fechar votos a favor da reforma da Previdência, o receio é que as medidas de correção das contas públicas fiquem mais enxutas à medida que se aproximam as eleições.


"Não vejo o movimento dos juros hoje como anormal. O mercado reage ao exterior. Mas sem dúvida entram na conta as últimas notícias sobre a Previdência", diz Luis Laudísio, da Renascença.


A diferença entre as taxas de DI com vencimento em janeiro de 2023 e janeiro de 2019 - uma medida do juro "extra" demandado pelo mercado para alongar posições - subia hoje a 283,5 pontos-base, 4 pontos-base acima do nível de sexta-feira. É o maior patamar desde o último dia 23 de janeiro, véspera da condenação de Lula na segunda instância.


Desde a mínima de 267 pontos-base atingida na quinta-feira passada (1º de fevereiro), a alta já é de 16,5 pontos-base.Esse movimento foi puxado sobretudo pelo DI janeiro/2023, que às 16h desta segunda-feira estava em 9,650%, de 9,6% do ajuste anterior.


O DI janeiro/2021 - outro contrato bastante negociado pelo mercado - ia a 8,940% (8,92% no último ajuste).Entre as taxas curtas, mais sensíveis às expectativas para a política monetária, o DI janeiro/2019 indicava 6,815% (6,83% no ajuste anterior).

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