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Juros futuros têm leve alta, após irem às máximas com fala de Powell

A resiliência dos juros futuros ao vaivém no exterior foi colocada à prova na sessão desta terça-feira. E a resposta foi relativamente positiva. Apesar de chegarem ao fim da tarde em leve alta, os ativos atravessaram sem grandes solavancos o discurso do novo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.


As taxas projetadas pelos contratos de DI até subiram às máximas conforme o dirigente do banco central americano traçava um quadro mais positivo para a economia dos EUA. Powell reiterou a perspectiva de crescimento mais sólido da atividade, o que foi entendido como sinal de um endurecimento do aperto monetário.


A projeção de quatro elevações de juros nos Estados Unidos em 2018 subiu para 24,9% nesta terça-feira, ante 19,3% de chances na sessão anterior. Já o cenário principal do mercado, de três movimentos neste ano, se firmou com 38,9%, acima dos 35,8% de ontem, de acordo com dados do CME Group.


Por aqui, entretanto, os juros futuros devolveram parte dos avanços até o término da sessão regular. Este é o caso do DI para janeiro de 2021, que era negociado a 8,500% no fim da tarde, ante 8,480% no ajuste anterior.


"A composição da curva de juros está mais baseada em questões internas", diz Matheus Gallina, trader da Quantitas. Para o profissional, com exceção de eventos mais acentuados, a sincronia dos movimentos externos com os locais tem ficado um pouco mais distante. O aperto monetário mais duro até poderia afetar os juros futuros. "Mas não é o que está no preço hoje", acrescenta.


Em taxas um pouco mais curtas dos DIs, o prêmio de risco de curto prazo até teve leve ajuste para baixo nesta terça-feira. O DI para janeiro de 2020 - que reflete percepções para 2018 e o ano que vem - caiu 1 ponto-base para a 7,590%.


Sem grandes sustos no exterior, as atenções se voltam para o ambiente doméstico. O comportamento dos ativos indica que os investidores "estão se convencendo de que a inflação no Brasil está numa dinâmica muito positiva", diz Marcos Mollica, sócio e gestor da Rosenberg Investimentos. Mesmo sem aumento das apostas de mais um corte da Selic, o que prevalece é a leitura de que o Banco Central não deve subir juros tão cedo.


Nesta terça-feira, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de fevereiro subiu 0,07%, acima das expectativas de 0,01%. Ainda assim, houve clara desaceleração ante o resultado de 0,76% em janeiro. A perspectiva é que o indicador deve subir um pouco mais em março, mas sem comprometer a boa fase de inflação baixa.


O que também deve direcionar o prêmio de risco no mercado é a disputa eleitoral deste ano. A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância no final de janeiro aliviou as preocupações de quem vê o petista como risco para a continuidade da agenda econômica. Um novo catalisador, de menor intensidade, pode vir nesta quinta-feira quando será julgado o habeas corpus de Lula, o que pode pesar ainda mais sobre candidatura do político.

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