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Medo de protecionismo americano pressiona mercados

02/03/2018 14h06

O Ibovespa vive um dia bastante negativo, contaminado pelo mau humor dos mercados globais. A preocupação com os efeitos da decisão do presidente americano Donald Trump de taxar a importação de aço e alumínio coloca investidores em posição defensiva, o que explica a queda forte - não só de papéis do setor de siderurgia como também de ações de diferentes segmentos.


Por volta das 13h50, o principal índice da B3 caía 0,9% para 84.580 pontos. Nesta manhã, tocou a mínima de 83.897 pontos.


"É uma medida muito emblemática, uma sinalização muito negativa e que pode suscitar retaliação de outros países", define o sócio gestor da Rosenberg Investimentos, Marcos Mollica. "Setores importantes, como o de linha branca e a indústria automobilística, são afetados por essa medida, o que torna o seu efeito disseminado."


A forte reação das bolsas americanas - que já iniciaram a sessão em queda de cerca de 1% - contagia as bolsas do mundo todo, inclusive a brasileira.


No Brasil, o efeito é captado mais diretamente pelas siderúrgicas. CSN é a maior queda do Ibovespa (-6,80%), seguida de Usiminas (-6,19%). Gerdau Metalúrgica (-3,88%) e Gerdau PN (-2,92%) também sofrem. Embora a primeira leitura seja de que o fato de a companhia ter uma unidade nos Estados Unidos limite o impacto negativo sobre a Gerdau, analistas observam que um aumento do imposto de importação pode levar as empresas globais a disputar outros mercados, inclusive o brasileiro. E isso contribui para pressionar as ações.


Outro elemento que entra na conta dos investidores neste momento é o risco dessa ação protecionista do governo Trump ser inflacionário, na medida em que se eleva o custo das matérias-primas de boa parte da cadeia produtiva. "Ainda que os preços de serviço tenham maior pressão sobre a inflação americana, sem dúvida é um elemento inflacionário e que pode exacerbar a discussão sobre a política monetária do Fed", diz Mollica.


Câmbio


O dólar começou o dia em alta perante o real, seguindo o movimento externo em meio a um ambiente mais risco a ativos de risco, diante de preocupações com guerra comercial e redução de estímulos monetários.


Mas, por volta das 13h55, a moeda inverteu a trajetária: ligeira queda de 0,04%, para R$ 3,522. O dólar para abril se apreciava 0,08%, a R$ 3,264.


A menção pelo presidente do banco central japonês sobre momento de diminuir estímulos se juntou ao clima de nervosismo derivado do anúncio de sobretaxação a importação de alguns produtos pelos EUA. As notícias vêm num momento em que dados econômicos nos EUA, China, Japão e zona do euro dão sinais de arrefecimento, o que gera primeiras análises que questionam a tese de crescimento global sincronizado.


O real, porém, se deprecia menos do que alguns de seus pares, como peso mexicano e dólar canadense. Essas duas moedas são mais sensíveis a uma eventual guerra comercial iniciada pelos EUA, uma vez que os dois países exportam grande parte de sua produção para o vizinho americano. A exposição do Brasil ao comércio com os EUA e também mundial, no entanto, é menor.


Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), as exportações representaram 12,1% do PIB brasileiro em 2016. Numa lista de 160 países, o Brasil é o 12º mais fechado ao comércio mundial.No México, essa proporção é de 38,1% e, no Canadá, de 31,1%.


Juros


Os juros futuros operam em queda nesta sexta-feira, a despeito do clima menos propício a ativos de risco no exterior. Profissionais comentam que tem prevalecido a ideia de que o cenário doméstico de inflação pode surpreender favoravelmente, o que mantém a porta aberta para novas quedas da Selic.


O mercado fortalece hoje apostas em corte do juro básico neste mês, a exemplo de ontem, quando foi divulgado números da economia que ficaram abaixo do esperado para o quarto trimestre. Nesta sexta, a FGV reportou que o IPC-S desacelerou para 0,17% em um mês até 28 de fevereiro, engrossando a lista de indicadores que corroboram expectativas de alta bastante moderada para os preços neste ano.


Hoje, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana, ouviu de economistas no Rio sobre a possibilidade de a inflação ficar mais perto de 3% neste ano, em um cenário de crescimento do PIB entre 2,5% e 3%. O relato é de uma fonte que participou do encontro e pediu anonimato.


Diferentemente de ontem (1º), quando nas duas reuniões em São Paulo Viana chegou a fazer comentários, no Rio o diretor do BC apenas ouviu, segundo a fonte consultada.


De forma geral, os economistas sinalizaram que as chances de a inflação persistir em patamares baixos mantêm a probabilidade de corte da Selic no encontro do Copom no próximo dia 21.


Às 14h, oDI janeiro/2019 cedia a 6,525% ao ano (6,565% no ajuste anterior).O DI janeiro/2020 recuava a 7,490% (7,550% no ajuste anterior).O DI janeiro/2021 caía a 8,410% (8,450% no ajuste anterior).

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