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Dólar tem maior queda em 3 semanas com julgamento do Lula e exterior

O ambiente externo positivo desde cedo manteve o dólar em queda, mas foi a rejeição do habeas corpus pedido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que consolidou a moeda americana em forte baixa? a maior em três semanas, levando a moeda americanoao menor nível desde 1º de fevereiro.


O dólar comercial terminou a sessão desta terça-feira (6) com depreciação de 1,20%, a R$ 3,2090.


Por unanimidade, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou pedido de habeas corpus preventivo a favor de Lula. Os advogados tentam evitar a prisão do petista após esgotados os recursos no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).Em janeiro, também por unanimidade, o TRF-4 não somente confirmou a condenação de Lula na acusação de lavagem de dinheiro como elevou a pena contra o petista para 12 anos e um mês de prisão.Com isso, mantém-se a probabilidade de Lula ser preso.


Na visão do mercado, a prisão conteria o fôlego do ex-presidente nas pesquisas de intenção de voto e poderia ser o sinal mais forte de que ele seria impedido de concorrer às eleições presidenciais, marcadas para outubro.


Dessa forma, o mercado entende que haveria mais chances de vitória de um candidato mais favorável à agenda de reformas econômicas. A expectativa por reformas amparou os ativos domésticos meses atrás, mas sucessivos adiamentos da votação da reforma da Previdência, e sua posterior interrupção oficial anunciada pelo governo em fevereiro, dificultaram a continuidade da queda do dólar e da redução de prêmios de risco de forma geral.


Projeções


"Mas agora o risco é de dólar para baixo", diz o profissional de um banco em São Paulo, que pediu anonimato. Ele ainda prevê taxa de câmbio entre R$ 3,40 e R$ 3,50 ao fim do ano, mas admite rever para baixo essa estimativa. "Uma coisa é você ir para acima de R$ 3,40 saindo de R$ 3,30. Outra coisa é ir partindo de R$ 3,20 ou até menos. [...] Eventualmente vamos revisar nossa projeção", disse ele.


Na Focus, a mediana das estimativas para a taxa de câmbio indica dólar de R$ 3,24 ao fim de março, com pico de R$ 3,32 (setembro e outubro) e taxa de R$ 3,30 ao fim do ano. Há investidores que veem o câmbio em R$ 2,80 em dezembro e em R$ 3,57 no mesmo mês.


Um dos pontos a favor do real mais comentados por analistas é a situação da balança de pagamentos. Além de provavelmente terminar o ano com déficit em conta corrente ainda em patamares historicamente baixos, espera-se uma melhora na conta de investimentos em carteira ? fluxos para renda fixa e ações.


No ano passado, o saldo de aplicação nesses ativos no país ficou negativo em US$ 2,484 bilhões, segundo dados do Banco Central. "Se essa rubrica ficar zerada este ano, que é o que se espera, já será um ponto de suporte ao real bem importante", afirma o gestor da área de câmbio de uma instituição na capital paulista.


Os dados do BC revelam que, em janeiro, o saldo líquido dos investimentos para ações e renda fixa negociadas no Brasil ficou positivo em US$ 9,044 bilhões.


Risco político


O maior empecilho a cenários mais positivos para o câmbio, contudo, ainda parece longe de ser deixado de lado, embora os cenários-base indiquem expectativa de desfecho eleitoral favorável às reformas.


"Acho pouquíssimo provável voo de cruzeiro até outubro", afirma Arnaldo Curvello, sócio-diretor da Ativa Investimentos, referindo-se à "tradicional" volatilidade à medida que se aproximam as eleições presidenciais.


Curvello chama atenção para a combinação entre incerteza sobre reformas e aperto monetário nos Estados Unidos. "O prêmio oferecido pelo Brasil está ficando cada vez menor. [...] E não acho que mudamos de patamar fiscal a ponto de essa descompressão de prêmio ser sustentável. Muito pelo contrário", ressalva.


A queda do prêmio de risco ? medido, entre outras formas, pela redução do diferencial de juros entre Brasil e EUA ? é um dos argumentos para analistas da empresa de pesquisa BMI Research preverem real mais depreciado no fim deste ano e em 2019. Os profissionais veem, agora, dólar de R$ 3,36 ao fim de dezembro, contra prognóstico anterior de R$ 3,30.


Considerando as eleições, os pesquisadores ponderam que, embora os mercados tenham precificado a ideia de que as reformas não serão aprovadas em 2018, os investidores parecem não considerar a "crescente" probabilidade de que o novo governo careça tanto de vontade quanto de capacidade para dar sequência aos esforços da atual administração.


"Falta de reformas significativas e incerteza política antes das eleições de outubro manterão o investimento de lado, limitando o crescimento no médio prazo", o que fará com que a melhora da atividade não compense o efeito negativo sobre o real, vindo da queda dos diferenciais de juros. Os analistas projetam câmbio médio de R$ 3,51 por dólar em 2019, o que equivale a uma depreciação do real de 8,6%.

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