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Dólar sobe 1,1% com queda das commodities e temor de guerra comercial

A combinação de commodities em forte baixa e de um maior receio em torno de uma guerra comercial no mundo levou o dólar à maior alta em cinco semanas frente ao real nesta quarta-feira (7).No fechamento, a cotação subiu 1,10%, a R$ 3,2444, praticamente devolvendo a queda de 1,20% de terça (6).


Além de um ajuste técnico depois da firme queda de ontem, o dólar no Brasil teve impulso do aumento da percepção de risco global, em meio ao raciocínio de que a retórica protecionista do governo americano pode ter menos resistências internas.Esse entendimento se fortaleceu depois do pedido de demissão de Gary Cohn, um dos conselheiros econômicos de Trump favoráveis a uma política mais livre nas relações comerciais.


A ameaça à dinâmica do comércio exterior tem efeitos negativos sobre as expectativas de crescimento econômico mundial, que, se prejudicado, pode afetar a disposição de investidores de aplicar em mercados mais arriscados, caso dos emergentes.


O Goldman Sachs diz que, considerando apenas as medidas protecionistas dos EUA, moedas da Ásia emergente, como ringgit malaio e dólar de Singapura, seriam as mais expostas, enquanto o real estaria no fim da lista, embora com maior vulnerabilidade que alguns de seus pares, como o peso chileno e o rublo russo.


Mas mesmo ativos de países considerados mais fechados, como o Brasil, podem ser pressionados por outros canais que não exclusivamente o comercial.


"O real é afetado pelo canal financeiro, sendo uma moeda muito volátil e bastante sujeita a surtos de aversão a risco", diz Gustavo Rangel, do banco ING em Nova York.


Com menos crescimento da atividade global, ativos como commodities tendem a perder valor, o que impacta grandes exportadores de matérias-primas, entre eles os do Brasil.


Commodities mais enfraquecidas implicam na queda dos chamados termos de troca ? razão entre preços de exportação e importação. Em média, os termos de troca subiram 5,8% em 2017, mas a comparação entre dezembro de 2017 e dezembro de 2016 já mostrou queda de 2,1%, segundo a Funcex. Essa razão bateu máximas em janeiro do ano passado e voltou a cair mais claramente a partir de novembro, depois de alguma recuperação em meados de 2017.

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