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Gol descarta ter rotas próprias para a Europa, "por enquanto"

07/03/2018 11h31

O presidente da Gol, Paulo Kakinoof, descartou "por enquanto" iniciar voos da própria companhia ligando o Brasil a destinos na Europa.


O executivo respondia a um questionamento de analista, durante teleconferência de resultados do 4º trimestre nesta quarta-feira (7), sobre a malha aérea da Gol com a chegada dos novos aviões Boeing 737-8 Max, que têm maior autonomia em relação aos atuais aviões 737-800 NG.


"De fato, essas aeronaves podem chegar à Europa, saindo do Nordeste brasileiro, mas não temos planos por enquanto", disse Kakinoff.


Segundo Kakinoff, a expansão da malha aérea internacional da Gol em 2018 e 2019 será liderada por mais voos para a América Latina e para o sul dos Estados Unidos, com voos a partir do segundo semestre deste ano para Orlando.


A Gol vai receber seis aviões Boeing 737-8 Max este ano, a partir de julho.


A aérea tem um cenário de expansão de oferta, com a capacidade (medida em assentos-quilômetros disponíveis - ASK) aumentando de 1% a 3% em 2018 e, depois, de 5% a 10%, em 2019.


Essa expansão vai ser liderada pelas rotas internacionais.


No mercado doméstico, a Gol vai elevar o ASK de 0% a 3% este ano e de 1% a 3% em 2019. Nas operações internacionais a empresa projeta elevar de 7% a 10% a capacidade em 2018 e de 30% a 40%, em 2019.


Oferta


Segundo Kakinoff, a demanda potencial prevista a partir das reservas já feitas para voos ao longo dos próximos três meses sinaliza que o tráfego tende a seguir com crescimento forte este ano.


O executivo disse que a relação entre a demanda na indústria da aviação e o Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil permite ao setor aumentar em até 6% a capacidade este ano em termos de ASK ante 2016, sem afetar a rentabilidade.


"Podemos aumentar em até 6% a capacidade, sem afetar o Yield [valor médio recebido pela companhia a cada quilômetro voado]", disse Kakinoff, admitindo que a companhia poderia assim ampliar a oferta acima da projeção preliminar para este ano, de elevar a oferta no mercado doméstico a 3%.


Kakinoff ponderou, entretanto, que ainda há incertezas com relação ao desempenho econômico do Brasil este ano por causa de variáveis da política, uma vez que o país tem eleições em 2018.


"Futurologia barata"


Para o executivo, tentar projetar quando devem ser votadas no Congresso as pautas da alíquota do ICMS sobre querosene de aviação e a mudança no limite para investimento estrangeiro em companhias aéreas brasileiras é "futurologia barata".


O Congresso ainda está para votar texto que limita em 12% a alíquota do ICMS sobre combustível de aviação, um imposto que vai até 25% em alguns Estados do país, como São Paulo.


O Congresso também está para votar a mudança no teto do capital estrangeiro em companhias aéreas, hoje em 20%.


Kakinoff disse que a concorrência no Brasil já é acirrada, por conta de tributação, por exemplo. Por isso, não há receio de perder mercado pela eventual entrada de novas companhias aéreas de baixo custo. A declaração respondeu ao questionamento de um analista sobre a entrada da Norwegian, da Noruega, que começa a voar para Argentina, e que já pediu autorização à Anac para abrir rotas entre Brasil e Europa.


De acordo com o executivo, a Gol está bem posicionada para explorar as oportunidades após votação do acordo de 'céus abertos', entre Brasil e Estados Unidos.O texto, já aprovado na Câmara dos Deputados e que aguarda votação no Senado, permite às companhias aéreas americanas e brasileiras iniciarem novas rotas e frequências entre os dois países, sem limites de operações.

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