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Juros futuros de curto prazo voltam a cair à espera do IPCA

08/03/2018 17h27

Os juros futuros de prazos mais curtos voltaram a cair nesta quinta-feira (8). O comportamento positivo do mercado foi reforçado na véspera da divulgação de novos dados de inflação, que devem ajudar os investidores a calibrarem apostas para a Selic.A dinâmica favorável do mercado responde, em boa parte, às surpresas com a inflação neste primeiro trimestre e frustração com a evolução da atividade.


No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o Banco Central projetava que o IPCA nos 12 meses até março ficaria em 3,2%, medida considerada conservadora pelos agentes financeiros. Inclusive, já se espera entre alguns profissionais de mercado que o resultado efetivo fique 0,5 ponto percentual abaixo do esperado pela autoridade monetária.


Para o indicador de fevereiro, os especialistas consultados pelo Valor Dataestimam que a inflação deve ficar em 0,32%, pouco acima do resultado de janeiro, 0,29%. Na medida acumulada em 12 meses, o IPCA esperado é de 2,84%. Caso isso seja confirmado, aumenta a pressão para que o BC mexa na Selic em março. No entanto, ainda seria necessário um pouco mais que uma surpresa do dado geral para mexer, de maneira significativa, nas apostas para maio.O cenário-base é que apenas um corte da Selic se concretize neste ano, mas as chances de quedas em duas reuniões seguidas do Copom não são descartadas.


O economista sênior do banco Haitong, Flávio Serrano, é um dos especialistas que não projetam novas quedas da Selic neste ano. Embora reconheça que aumentaram as chances de a taxa cair em março, ele não vê mudança suficiente no comportamento da inflação que tire a Selic dos atuais 6,75%. Isso porque as surpresas ainda são motivadas pelo segmento de alimentação e não por uma alteração mais estrutural. "Existe a possibilidade de o BC cortar juros e o IPCA vai confirmar o cenário favorável, mas ainda estamos caminhando rumo às metas de inflação", afirma o especialista.


O que se espera também, antes de uma aposta mais firme, é uma mudança nas expectativas de inflação ou uma sinalização mais clara do Banco Central. O sócio e gestor da Paineiras Investimentos, David Cohen, acredita que o BC deve cortar a taxa em março. Para a reunião seguinte, pode indicar uma pausa-em vez de um fim do ciclo de baixa-, mantendo a porta aberta para outros movimentos, a depender de como evoluirá o cenário eleitoral e como isso irá afetar o câmbio e as expectativas de inflação.


Enquanto não há um sinal mais claro para esse ponto final do ciclo, os investidores trabalham com a perspectiva de que a Selic pode ficar baixa ou não subir tanto no curto prazo. Sinal disso é que o DI janeiro/2020 caiu a 7,320% no fim da sessão regular, ante 7,360% no ajuste anterior e o DI janeiro/2019-contrato mais negociado do dia - se manteve estável a 6,450%.

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