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Bolsa sobe 1,5% e dólar opera a R$ 3,24 com IPCA e dados dos EUA

09/03/2018 13h56

Os dados do mercado de trabalho americano vieram "na medida" para as bolsas e abriu espaço para uma firme recuperação. Os números confirmam que há um crescimento consistente em curso. Mas não a ponto de trazer ameaças inflacionárias, que levem o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a assumir uma posição ainda mais firme do que o mercado já espera.


Em reação, o Ibovespa retomou o nível de 86 mil pontos, sustentado pelas blue chips, tradicionais porta de entrada dos investidores que querem ampliar exposição em Brasil. Às 13h41, o ganho era de 1,47%, para 86.238 pontos.


Vale ON, que iniciou o dia em queda firme sob efeito da taxação do aço pelos Estados Unidos, passou a subir e, às 13h42, ganhava 1,62%. Petrobras PN subia 1,66% e Itaú PN avançava 0,74%.


A recuperação acontece após dois importantes riscos terem sido superados, ao menos no curto prazo: a ameaça de taxação do aço pelos Estados Unidos e a espera pela divulgação do relatório sobre o mercado de trabalho que, no mês passado, provocou uma forte onda de vendas no mundo.


De fato o governo americano impôs uma sobretaxa à importação do aço e do alumínio, o que afeta em cheio empresas brasileiras. Mas, como o mercado já se antecipou à decisão e, por ora, o efeito prático da medida pode não ser tão forte quanto se temia, as ações dessas empresas podem até passar por algum alívio hoje, aproveitando a melhora de humor geral.


Já os dados de emprego americano confirmam um quadro também já precificado. Foram geradas 313 mil novas vagas, ante a expectativa de 205 mil postos de trabalho. Mas o ganho salarial médio por hora trabalhada foi modesto.


Com essas questões sob controle, a bolsa pode reagir também às apostas crescentes no mercado de que, com a inflação sob controle, o Banco Central (BC) poderá voltar a cortar os juros na reunião de março. E, depois disso, manter a taxa inalterada por um período prolongado.


Vale observar que são companhias que divulgaram seus resultados as que se destacam, entre as altas do dia. Embraer ON ganhava 6,55%, Localiza ON aumentava 4,74% e MRV ON avançava 3,21%.


Câmbio


O dólar se afasta das máximas em um mês alcançadas na quinta-feira, pressionado nesta jornada pelo clima positivo a ativos de risco no exterior, após sinais que a economia americana segue firme, mas sem gerar pressões inflacionárias.


A redução nos temores de inflação diminui receios de que o Fed precise elevar ainda mais as taxas de juros nos EUA, possibilidade que ganhou ainda mais força em meio a cenários de aumento de preços derivados da taxação de importações de aço e alumínio anunciada ontem por Donald Trump.


Dessa forma, investidores veem fortalecidas as avaliações de a economia global deverá continuar sólida, puxada pela americana. Sem riscos iminentes do lado inflacionário, o mercado enxerga a manutenção do cenário preponderante do ano passado - expansão econômica sem necessariamente aumentos ainda maiores de juros nos EUA. É essa combinação que está por trás da valorização de ativos de risco no mundo desde o ano passado e cuja ameaça pressionou bolsas de valores e moedas no começo de fevereiro.


Às 13h24, o dólar comercial caía 0,36%, a R$ 3,2496.


Juros


A dinâmica positiva de inflação abre espaço para nova queda dos juros futuros de curto prazo. O resultado do IPCA de fevereiro não foi suficiente para estimular as apostas para um ciclo ainda mais extenso de corte da Selic, mas reforça a visão de que a taxa cairá mais uma vez em março e permanecerá baixa por algum tempo.


O comportamento do setor de alimentos e, principalmente, dos núcleos de inflação já levam algumas grandes instituições a revisarem suas projeções de IPCA para este ano, cada vez mais próximas do piso da meta inflação. O centro do alvo é 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.


A perspectiva de que a Selic pode ficar baixa ou não subir tanto no curto prazo também se evidencia nos juros futuros. O DI janeiro/2020 operava em leve queda de 3 pontos-base, a 7,290% às 13h47. Já o DI janeiro/2019 - contrato mais negociado do dia - se mantinha estável a 6,445%.


Para além do debate sobre o ponto final de corte da Selic, o comportamento dos preços também incita a discussão sobre a definição de metas mais baixas de inflação para além de 2020. A questão ganha um aspecto mais estrutural, dependendo inclusive do encaminhamento da agenda de reformas após a eleição de 2018.

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