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Vendas da BR caíram em 2017 para preservar margens, diz diretor

A queda de 4,4% do volume de vendas da rede de postos da BR Distribuidora em 2017, ante o ano anterior, reflete principalmente a manutenção da política de preservação das margens de comercialização, priorizando a rentabilidade da companhia através de uma maior seletividade das vendas.

As informações foram transmitidas nesta quarta-feira (14) pelo diretor executivo financeiro e de relações com investidores da empresa, Rafael Grisolia, durante teleconferência dos resultados do quarto trimestre.

SegundoGrisolia, com relação ao segmento de grandes consumidores, a queda de 5,1% das vendas em 2017 foi motivado "principalmente pela queda de venda de óleo diesel a térmicas".

O executivo, porém, explicou que o crescimento das vendas de 0,4% no segmento no quarto trimestre de 2017, ante igual período anterior, reflete o trabalho da empresa de compensar as perdas obtidas com o setor termelétrico em novos negócios em segmentos industriais. A melhora na comparação trimestral também refletiu "retomada da atividade econômica no Brasil".

Grisolia destacou ainda o crescimento de 5,8% das vendas no negócio de aviação no quarto trimestre, ante igual período de 2016, e o aumento de 1,2% na comparação anual. Segundo ele, os crescimentos refletem a melhora do mercado brasileiro.

Recuperação

Em 2018, a companhia espera recuperar volume de vendas e de participação no mercado em sua rede de postos. Segundo o diretor executivo de rede de postos da empresa, Marcelo Bragança, o crescimento deve ser possibilitado com o incremento do número de postos no ano passado.

"Esperamos, com a maturação dos postos que adicionamos, que esses volumes se recuperem em 2018, com recuperação de market share", disse o executivo.

Segundo o diretor executivo de operação e logística, Alípio Ferreira Pinto Jr., outro fator que deve favorecer à companhia é a tendência de redução do volume de importação de combustíveis, devido a uma política da Petrobras de margens mais estreitas para o preço dos combustíveis, em relação à paridade de importação.

Ferreira Pintoexplicou a existência de uma relação entre um volume maior de importação e um volume maior de fornecimento de combustíveis para postos de bandeira branca. "O mercado com menor volume de importações é melhor para distribuidoras estruturadas", disse o executivo. "O comportamento que se espera do mercado é que nós tenhamos, em 2018, um volume de importações mais reduzido e um mercado mais organizado", afirmou.

Petrobras

Para o próximo mês, aBR Distribuidora aguarda a apresentação, pela Petrobras, do primeiro rascunho relativo ao novo modelo de contrato de fornecimento de combustíveis às distribuidoras, afirmou Ferreira Pinto. Segundo ele, o novo contrato é benéfico às grandes distribuidoras.

"A Petrobras está conversando com os principais clientes sobre o novo contrato [de fornecimento de combustíveis]. [A Petrobras] já colheu algumas percepções do que pode significar melhoria pelos principais clientes. E estamos aguardando para o próximo mês possivelmente o primeiro 'draft' [rascunho do contrato]", disse o executivo.

Ferreira Pinto disseque "o sentido [do novo contrato] vai ser na linha de trazer mais competitividade para o fornecimento de produtos da Petrobras, o que é benéfico para grandes distribuidoras". Segundo ele, as grandes distribuidoras "vão trabalhar também com importação, mas não mais importação absolutamente por oportunidade [de preço], e sim pela infraestrutura [de] que dispõe para trazer equilíbrio para o produto Petrobras e o produto exportado".

O novo modelo de contrato de combustíveis da Petrobras faz parte da estratégia da petroleira de recuperar participação no mercado, em competição com importadores.

Endividamento

A BR Distribuidora deve manter o nível de endividamento, medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda, em torno de 1,3 vez, ao longo do ano, afirmou Grisolia.

"Nossa melhor estimativa é que vai ficar nesse nível [de endividamento]", disse o executivo, em teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados da empresa no quarto trimestre e no ano de 2017.

Grisolia também indicou que a companhia deverá manter uma política de pagamento de dividendos "forte", para não comprometer a estrutura de capital da empresa.

"Seguimos firmes com visão que apresentamos no IPO de estrutura de capital e com esse nível de alavancagem. Essa estrutura de capital, para a rentabilidade que a BR tem, promove uma geração de caixa importante", disse. "Para não comprometer a estrutura de capital, devemos ter pagamento de dividendos forte", completou.

Na mesma linha, o presidente da BR Distribuidora, Ivan de Sá, afirmou que, com a atual política de preços da Petrobras, com reajustes diários, o volume de importação "está bem mais reduzido".

Com relação às lojas de conveniência, o diretor de rede de postos contou que o conselho de administração da empresa deve deliberar nos próximos meses sobre uma nova modelagem para atrair mais valor para esse negócio. Ele, contudo, não forneceu mais detalhes.

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