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Petrobras deixa lucro para acumular prejuízo de R$ 5,4 bi no trimestre

(Atualizada às 11h29) A Petrobras terminou o quarto trimestre de 2017 com prejuízo líquido de R$ 5,477 bilhões, em comparação com o lucro de R$ 2,51 bilhões apurado no mesmo intervalo do ano anterior.

O balanço da companhia refletiu, mais uma vez, efeitos não recorrentes. Houve o provisionamento de R$ 11,2 bilhões para pagar um acordo a fim de encerrar a ação coletiva movida por investidores contra a estatal nos Estados Unidos.

A receita da estatal somou R$ 76,512 bilhões no trimestre, aumento de 8,5%, ante a receita de R$ 70,489 bilhões do mesmo intervalo de 2016.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado teve retração de 47,6% no trimestre, para R$ 12,98 bilhões, ante os R$ 24,788 bilhões dos últimos três meses do ano anterior.

2017

A Petrobras encerrou o ano com prejuízo líquido de R$ 446 milhões, montante 97% menor que a perda de R$ 14,8 bilhões registrado em 2016. Esse foi o quarto ano seguido que a estatal fechou no vermelho, mais uma vez refletindo baixas contábeis e fatores não recorrentes.

Com isso, esse deve ser também o quarto ano seguido em que a Petrobras não paga dividendos aos seus acionistas. A Lei das S.A. determina que se uma empresa não paga dividendos por três exercícios, os acionistas preferencialistas devem ter direito a voto. No entanto, isso não foi aplicado no caso da estatal, pois a Lei do Petróleo deixa explícito que apenas as ações ordinárias podem votar nas assembleias da companhia.

A sequência negativa da Petrobras começou em 2014, primeiro ano que a estatal sofreu os efeitos das investigações da Operação Lava-Jato - que completará quatro anos no próximo sábado (17) -, quando a Petrobras apurou prejuízo anual de R$ 21,6 bilhões.

Também foi em 2014 que os preços internacionais do petróleo sofreram uma queda brusca;até meados do ano passado,persistiam na faixa de US$ 50 o barril, mas vêm se recuperando gradualmente.

Em 2017, a receita líquida da companhia somou R$ 283,7 bilhões, ligeira alta de 0,4% ante os R$ 282,5 bilhões de 2015. O Ebitda ajustado teve queda de 14%, para R$ 76,5 bilhões.

Conselheiros

Os dois conselheiros fiscais da Petrobras que representam acionistas minoritários, Reginaldo Ferreira Alexandre e Walter Luís Albertoni, votaram contra a aprovação do balanço da companhia de 2017.

As demonstrações financeiras, no entanto, tiveram o aval dos outros três membros do conselho fiscal, e foram encaminhadas para aprovação pela assembleia geral dos acionistas da companhia.

Ferreira Alexandre representa os acionistas minoritários detentores de ações ordinárias, e Albertoni é o representante dos preferencialistas.

Endividamento

O endividamento líquido da petrolífera chegou a R$ 280,7 bilhões no fim de dezembro do ano passado, leve alta de 0,5% ante o endividamento do fim de setembro, de R$ 279,2 bilhões. Ante o fim de 2016, quando a cifra tinha chegado a R$ 314,12 milhões, houve queda de 11%.

Com isso, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda chegou a 3,67 vezes no fim do ano passado, ante 3,16 vezes no fim de setembro e 3,54 vezes em dezembro de 2016.A meta da companhia é atingir uma alavancagem inferior a 2,5 vezes em 2018.

Em dólares, a dívida líquida da estatal, atingiu US$ 84,871 bilhões, ante US$ 88,143 bilhões no fim de setembro. Em dezembro de 2016, o endividamento líquido tinha somado US$ 96,9 bilhões.

Resultado financeiro

A geração de caixa operacional da companhia somou R$ 19,57 bilhões no quarto trimestre de 2017, queda de 17% na comparação anual. Em 2017, a estatal gerou R$ 86,5 bilhões em caixa, queda de 3,6%.

Ao fim do ano, a Petrobras tinha R$ 74,5 bilhões em caixa, ante R$ 69,11 bilhões ao fim de 2016.

O resultado financeiro líquido da companhia foi negativo em R$ 7,6 bilhões no trimestre, refletindo receitas financeiras da ordem de R$ 612 milhões e despesas de R$ 5,7 bilhões, além do efeito de câmbio, de R$ 2,6 milhões.

Em 2017, o resultado financeiro foi negativo em R$ 31,6 bilhões, ante R$ 27,18 bilhões de perdas em 2016.

No quarto trimestre de 2016, o resultado financeiro tinha vindo negativo em R$ 5,3 bilhões, ante o resultado negativo de R$ 4,93 bilhões do mesmo período de 2015. Com isso, o resultado financeiro de 2016 foi negativo em R$ 27,185 bilhões, ante R$ 28 bilhões em perdas em 2015.

Investimentos

Nas áreas de negócios,a estatal investiu R$ 13 bilhões no quarto trimestre do ano passado, uma alta de 9,9% na comparação anual. Considerando os recursos utilizados nas atividades de investimentos (que envolvem, além das áreas de negócios, o recebimento pelas vendas de ativos e títulos e valores mobiliários), houve alta de 78,5%, para R$ 12,959 bilhões.

No ano, a estatal investiu R$ 42,403 bilhões em áreas de negócios, ante R$ 48,137 bilhões em 2016. Já os recursos utilizados em atividades de investimento caíram de R$ 40 bilhões em 2016 para R$ 32,218 bilhões no ano passado.

Desde 2016, a companhia vem apresentando cortes em seu Plano de Negócios e Gestão, para se adequar aos patamares de câmbio e do preço do petróleo. O plano de negócios do período de 2018 a 2022 prevê investimentos de US$ 74,5 bilhões.

A Petrobras informou ainda que recebeu R$ 449 milhões em recursos de desinvestimentos no quarto trimestre do ano passado, como parte de seu programa de desinvestimentos, que visava se desfazer de US$ 21 bilhões em ativos até 2018.

Em 2017, a companhia recebeu R$ 9,9 bilhões com vendas de ativos, alta de 37%.

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