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Petrobras decide parar produção de fertilizantes em Bahia e Sergipe

20/03/2018 09h29

(Atualizada às 12h11) A Petrobras anunciou nesta terça-feira (20), em comunicado, que decidiu "hibernar", isto é, fazer uma parada progressiva da produção das suas fábricas de fertilizantes localizadas em Sergipe (Fafen-SE) e na Bahia (Fafen-BA).

Previsto para ter início até o final deste primeiro semestre, o processo de hibernação consiste em uma parada progressiva da produção das unidades industriais, com ações para conservar equipamentos e previnir impactos ambientais.

De acordo com a estatal petroleira, a decisão está alinhada ao posicionamento estratégico de saída integral das atividades de produção de fertilizantes, conforme o Plano de Negócios e Gestão 2018-2022.

Em 2017, a fábrica de Sergipe teve prejuízo de R$ 600 milhões e, a da Bahia de R$ 200 milhões, e a estimativa da Petrobras é de continuidade no longo prazo de resultados negativos.

No balanço do quarto trimestre de 2017, a Petrobras já realizou uma provisão para perda ("impairment") das fábricas de fertilizantes no montande de R$ 1,3 bilhão.

No comunicado,a Petrobras destacaque tem um plano de transição para fornecedores e clientes que será implementado a partir de agora, assim como ações de responsabilidade social cujo objetivo é mitigar impactos que venham a ocorrer nas comunidades.

Desinvestimento

O diretor de refino e gás natural da empresa, Jorge Celestino Ramos, disse hoje que asfábricas estão no programa de desinvestimentos da petroleira.

"Elas [as duas fábricas] serão ofertadas ao mercado", afirmou o executivo, durante teleconferência com jornalistas. "Nossa decisão é sair do negócio de fertilizantes", disse.

Segundo o diretor, as duas unidades estavam dando seguidos resultados negativos para a companhia e fecharam 2017 com resultados negativos de cerca de R$ 800 milhões, juntas. "Nos próximos, elas não mostram perspectiva de reversão [dos resultados negativos]", acrescentou Celestino, explicando que a melhor alternativa para a companhia era parar a atividade das duas plantas.

O custo da matéria-prima dessas unidades - o gás natural - é menos competitivo em relação a outras fábricas no mundo, o que torna o negócio inviável economicamente para a Petrobras, disse.

Segundo Celestino, as duas plantas produzem em média 700 mil toneladas/ano, juntas, o equivalente a cerca de 15% da demanda interna do país. Hoje, explicou, 85% da demanda brasileira já é importada.

O diretor da Petrobras contou que o custo de hibernação da Fafen-SE e Fafen-BA é da ordem de R$ 300 mil por mês. Sem mencionar valores de custo de produção das unidades, ele informou que o custo de hibernação é muito inferior ao que é necessário para manter as fábricas operando.

Com relação ao processo de desinvestimento da Araucária Nitrogenados (Ansa), que opera em Araucária (PR), e da Unidade de Fertilizantes-III (UFN-III), cuja planta, em Três Lagoas (MS), está 80,95% concluída, Celestino contou que o processo de venda dos dois ativos está na etapa de oferta vinculante.

"Estamos muito perto de achar compradores para Ansa e UFN-3", afirmou.

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