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Lucro contábil da Caixa bate recorde e atinge R$ 12,5 bi em 2017

(Atualizada às 11h20) A Caixa Econômica Federal obteve lucro líquido recorrente de R$ 8,6 bilhões no ano passado, o que representa alta de 106,9% em relação a 2016. O lucro contábil foi de R$ 12,5 bilhões, que superou em 202,6% o obtido no ano anterior e foi o maior da história.

O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 12,9% no ano passado, alta de 6,3 pontos percentuais.

Segundo comunicado do banco à imprensa, as despesas com provisões para devedores duvidosos recuaram 4,2% em 2017. O índice de inadimplência caiu 0,6 ponto, para 2,25%. Receitas de prestação de serviços aumentaram, enquanto as despesas administrativas recuaram.

A Caixa fechou dezembro com R$ 706,3 bilhões na carteira de crédito, queda de 0,4% em 12 meses. O portfólio habitacional subiu 6,3%, para R$ 431,7 bilhões. Houve queda de 15,3% no estoque de operações comerciais.

O banco apresentava 11,2% de capital principal no fim do ano passado, um avanço de 1,7 ponto percentual. O índice de Basileia aumentou 4,1 pontos, para 17,7%.

Contingenciamento

O banco informa que seu plano de contingência de capital vem sendo implementado desde o início do ano passado, com adoção de medidas para fortalecer a governança corporativa e a gestão da estrutura de capital.

Entre as medidas previstas, a Caixa destaca a recapitalização pelo Tesouro Nacional dos dividendos a serem pagos pelo banco; a redução de despesas; o ajuste dos processos de alocação de capital; a utilização da métrica do Retorno Ajustado ao Risco no Capital (RAROC) para gestão da carteira de crédito; a disseminação da cultura de risco; a ampliação da margem de contribuição dos produtos e serviços; e o ajuste de benefícios pós-emprego para equacionamento do passivo atuarial.

O balanço não menciona a possibilidade da venda de carteiras, que está sendo analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Também não há menção à alternativa de vender até R$ 15 bilhões em bônus perpétuos para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Em dezembro de 2017, os Ativos Ponderados pelo Risco (RWA) totalizavam R$ 529,5 bilhões, redução de R$ 44,7 bilhões, devido à estratégia de fortalecimento do capital, diz o banco. "Os resultados acima confirmam a efetividade dessas ações".

No balanço, a Caixa também aponta que, junto com outros bancos, chegou a um acordo sobre as perdas de rendimentos que as poupanças sofreram com as mudanças dos planos econômicos (Bresser, Verão, Collor 1 e Collor 2). A Caixa afirma que a previsão para o sistema financeiro em geral é de encerrar quase 1 milhão de processos, efetuando o pagamento de mais de R$ 10 bilhões que beneficiarão cerca de 3 milhões de pessoas.

"O dinheiro já está disponível nos bancos, sendo necessária a comprovação da existência da ação judicial pelo poupador", diz a instituição pública, sem detalhar quanto terá de desembolsar.

Auditoria

Sobre o balanço, a auditoria PwC emitiu relatório do auditor independente com ressalvas. De acordo com a auditoria, considerando que as ações relacionadas às investigações de supostos atos ilegais por parte de certos administradores e ex-administradores estão em andamento, os possíveis impactos decorrentes não são conhecidos.

Consequentemente, diz a PwC, não foi possível determinar se havia necessidade de ajustes ou divulgações adicionais relacionados a esse assunto sobre as demonstrações contábeis consolidadas de 2017.

As investigações foram iniciadas em razão de notícias divulgadas desde 2015 em conexão com a operação "A Origem" e, a partir de 2017, em conexão com as operações "Cui Bono?", "Sepsis" e "Patmos", deflagradas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. A partir disso, a administração do banco adotou ações internas e investigação independente foi iniciada.

As investigações independentes conduzidas na Caixa não indicaram, até o momento, a existência de qualquer evento capaz de gerar impacto material nas demonstrações contábeis, diz o balanço.

A primeira fase desse processo já foi finalizada e, de acordo com a instituição financeira, gerou diversas recomendações que já foram adotadas ou estão em processo. A Caixa destaca alterações estatutárias, que incluíram um novo processo para escolha e nomeação de vice-presidentes.

O banco afirma que novas investigações independentes estão em andamento, sendo conduzidas por escritório de advocacia e supervisionadas pelo comitê independente.

"A Caixa continuará acompanhando e apoiando os processos de investigação das autoridades competentes até a sua conclusão e avaliando, sistematicamente, qualquer nova informação que possa demandar providências adicionais."

As investigações foram iniciadas em razão de notícias divulgadas desde 2015 em conexão com a operação "A Origem" e, a partir de 2017, em conexão com as operações "Cui Bono?", "Sepsis" e "Patmos", deflagradas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

A partir disso, a administração do banco adotou ações internas para identificar eventuais descumprimentos de leis e regulamentos, e os eventuais impactos sobre os controles internos e as demonstrações contábeis. Adicionalmente, em agosto de 2017, o conselho de administração decidiu contratar investigação independente.

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