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JBS teve prejuízo líquido de R$ 451,7 milhões no 4º trimestre de 2017

28/03/2018 22h01

A JBS fechou o ano mais turbulento de sua história com razões para comemorar. Após o ápice da crise na qual a empresa brasileira se viu mergulhada, com a delação dos controladores e sua posterior prisão, a JBS conseguiu mais que dobrar o lucro líquido no ano passado, reduzindo drasticamente os índices de endividamento.

O balanço de 2017, divulgado hoje, também reduziu as incertezas que pairavam sobre a companhia. Pela primeira vez desde a delação dos irmãos Batista, em maio, a JBS apresentou um balanço com parecer do auditor. "Essa é a maior façanha", comemorou uma fonte próxima à JBS. Sem o balanço anual assinado pelo auditor, a empresa, que fatura mais de US$ 50 bilhões anuais, poderia sofrer o resgate antecipado de sua dívida.

Mas o desempenho da JBS poderia ter sido melhor, não fosse a valorização do dólar nas últimas semanas de dezembro, o que provocou um impacto negativo de cerca de R$ 1 bilhão no valor da dívida da companhia em moeda estrangeira. Com isso, a JBS encerrou o quarto trimestre de 2017 com prejuízo líquido de R$ 451,7 milhões. No mesmo intervalo do ano anterior, havia lucrado R$ 662,8 milhões.

No ano, porém, o resultado da JBS melhorou. A empresa reportou um lucro líquido de R$ 534,2 milhões em 2017, mais que o dobro do ganho de R$ 233,6 milhões registrado no ano anterior. Não fosse a adesão da empresa ao programa de regularização tributária, o lucro líquido teria sido de R$ 2,1 bilhões.

As vendas da JBS cresceram no quarto trimestre, mas tiveram redução no ano. Ao todo, a receita líquida da empresa somou R$ 163,1 bilhões, queda de 4,2% em relação aos R$ 170,3 bilhões registrado em 2016. Em relatório, a JBS atribuiu a queda à variação cambial e à venda de ativos ? em meados de 2017, a empresa vendeu as operações de carne bovina na Argentina, Uruguai e Paraguai para a rival Minerva Foods. Essa venda, de cerca de R$ 1 bilhão, visava a reforçar a estrutura de capital após a delação dos irmãos Batista.

No quarto trimestre, a receita líquida da JBS voltou a aumentar. Entre outubro e dezembro, as vendas somaram R$ 42,7 bilhões, aumento de 2,7% na comparação com os R$ 41,1 bilhões registrados em igual período de 2016.

No front operacional, a JBS teve, em 2017, um dos melhores desempenhos da história nos Estados Unidos, país que responde por mais de 50% das vendas da empresa. De certa forma, as operações americanas atenuaram a severa crise enfrentada na operação de carne bovina no Brasil, onde a resistência dos pecuaristas provocou uma queda de 14% nos abates.

No quarto trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da JBS totalizou R$ 3,198 bilhões, crescimento de 2,7% ante o Ebitda de R$ 3,112 bilhões de um ano antes. No trimestre, a margem Ebitda se manteve estável, em 7,5%.

No acumulado de 2017, o Ebitda ajustado da empresa chegou a R$ 13,415 bilhões, alta de 18,9% em relação aos R$ 11,286 bilhões de 2016. Com isso, a margem Ebitda aumentou de 6,6% para 8,2%.

Do lado financeiro, a JBS conseguiu reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses), cumprindo o acordo para renegociação de dívidas de curto prazo firmado em julho do ano passado com bancos no Brasil. Em dezembro, o índice de alavancagem atingiu 3,38 vezes, ante 3,42 vezes em setembro. Quando a delação dos Batista veio à tona, o índice superava 4 vezes.

A redução da alavancagem seria maior não fosse o impacto da alta do dólar sobre a dívida. Do endividamento total da companhia, 95% é denominado em dólar. Em 31 de dezembro, a dívida líquida da JBS totalizava R$ 45,2 bilhões.

Para 2018, a expectativa de fontes próximas à JBS é que o bom momento nos Estados Unidos continue. Com demanda aquecida, baixo desemprego e custos baixos na compra de bovinos, a empresa deverá se beneficiar. No negócio e carne de frango (Pilgrim's Pride), a tendência para as margens também é positiva, segundo essas fontes. O único senão é o negócio de carne suína nos EUA, que pode sofrer com a retaliação da China às medidas protecionistas adotadas pelo governo Trump.

Por outro lado, os negócios no Brasil terão desafios pela frente, como o milho mais caro que afeta a Seara e a acirrada competição no negócio de carne bovina. Afora isso, as operações de couro também atrapalham a recuperação da companhia.

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