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Cenário externo negativo puxa juros futuros para cima

A primeira sessão de abril não foi positiva para o mercado de juros futuros. Os investidores já se mostravam apreensivos com os importantes eventos que devem marcar a cena política nos próximos dias. No entanto, foi a piora do sinal no exterior que determinou o avanço das taxas dos contratos de DI.

No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 subia a 6,235% (6,220% no ajuste anterior), oDI janeiro/2020 avançava a 7,070% (7,030% no ajuste anterior), oDI janeiro/2021 marcava 8,030% (7,960% no ajuste anterior), oDI janeiro/2023 apontava 9,020% (8,960% no ajuste anterior), eo DI janeiro/2025 ficava em 9,520% (9,460% no ajuste anterior).

Os juros futuros subiram às máximas da sessão no período vespertino, enquanto as bolsas de Nova York perdiam mais de 3%. O movimento foi desencadeado pela venda de ações no setor de tecnologia, que tem enfrentado preocupações sobre aumento de regulamentação nos Estados Unidos. Com isso, os investidores se afastaram de ativos com maior risco, como os de emergentes.

Por outro lado, os juros futuros têm mostrado maior resiliência a momentos de nervosismo do que outras categorias de ativos do Brasil. O mercado de DI conta com a "âncora" da política monetária brasileira e trajetória ainda favorável da inflação, pelo menos no curto prazo. "Se for para apostar num cenário mais adverso, existem os outros mercados", diz o estrategista Paulo Nepomuceno, da Coinvalores. "A inflação não tem motivos para sair muito da meta", acrescenta.

A expectativa majoritária no mercado é que a Selic ainda deve cair para 6,25% em maio, ficando nesse nível até o fim do ano. Já uma elevação de juro só começaria no ano que vem, enquanto a expectativa de inflação segue bem próxima da meta para os próximos anos.

Operadores apontam também que uma alternativa, para se manter as posições nos juros, tem sido a compra de dólar. "O real sofre com as moedas pares e também tem sido usado como 'hedge' por quem segue doado no DI", diz o operador Luis Laudísio, da Renascença, ao comentar sobre apostas na queda das taxas.

A dinâmica mais favorável para os juros também se aplica às incertezas locais. Ainda assim, muitos investidores preferiram ficar de fora do mercado antes de terem mais clareza na cena política.

Sinal de algum desconforto, a negociação de contratos de DI foi a mais baixa em duas semanas, ficando ligeiramente aquém da média para as segundas-feiras, cuja liquidez já costuma ser mais baixa. No fim da sessão regular, às 16h, cerca de 1,84 mil contratos, em média, foram negociados por minuto. Se mantido até o término do dia, este será o giro mais fraco desde o último dia 19 quando 1,83 mil contratos trocaram de mãos por minuto.

Por aqui, a cautela prevalece poucos dias antes do julgamento do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula. O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira a sessão que pode resultar na prisão do petista após sua condenação em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro. O placar no Supremo, entretanto, parece estar bem dividido, com risco até de o processo ser prolongado com pedido de vista de um dos magistrados.

A demora alimenta desconforto no mercado, o que prejudica a confiança dos agentes financeiros na inelegibilidade de Lula. "A chance de Lula poder disputar a eleição pode não ser tão pequena quanto muitos esperam", diz um profissional.

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