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Dólar fecha em alta e supera R$ 3,31

02/04/2018 18h28

O dólar fechou em alta ante o real na primeira sessão de abril, mantendo-se acima de R$ 3,30. Porém, a moeda se afastou das máximas e, ao mesmo tempo, perdeu fôlego frente a divisas emergentes, conforme Wall Street se recuperou do ponto mais baixo do pregão.

Mesmo quando os índices em Nova York perdiam cerca de 3%, o mercado de moedas em geral se manteve longe de qualquer onda de vendas. Essa dinâmica é semelhante à vista no "sell-off" de fevereiro passado, quando as divisas emergentes evitaram ajustes mais abruptos mesmo com a liquidação dos mercados de ações.

Aqui, o dólar subiu 0,32%, para R$ 3,3138. Na máxima, a cotação foi a R$ 3,3243, ainda abaixo do pico recente de R$ 3,3447 registrado no fim de março.

Lá fora, o dólar ganhava 0,5% ante o peso mexicano (chegou a subir mais de 1% na máxima do dia), 0,6% contra o rublo russo e apenas 0,1% comparado ao rand sul-africano. Já o S&P 500 caiu 2,23%, para o menor patamar em dois meses.

Segundo Italo Lombardi, estrategista de câmbio do Crédit Agricole em Nova York, a classe de moedas emergentes demonstra resistência por dois motivos. A liquidação em Wall Street tem como origem aspectos relacionados mais a setores específicos (tecnologia em especial). Além disso, os ativos de emergentes têm se beneficiado da dinâmica de crescimento global sincronizado, que, por ora, não parece ameaçada.

De acordo com Lombardi, o contágio pode ocorrer caso fique mais evidente que a economia real nos EUA sofrerá com a turbulência dos mercados. "Não há nada neste momento que indique isso", diz o estrategista.

Por isso, ele vê o dólar ainda comportado. Aqui, a moeda deverá ter leve depreciação até o fim do ano, fechando a R$ 3,25. No segundo trimestre, porém, alcançará um pico de R$ 3,45 no período de maior nervosismo eleitoral. "Sem ruptura econômica conhecido o resultado das eleições, o real termina 2019 a R$ 3,10 por dólar", conclui.

Ainda que o real, junto com outras moedas emergentes, possa demonstrar alguma resistência, alguns ruídos seguem no radar e, se piorados, podem colocar em xeque a perspectiva benigna para essa classe de ativos. Os temores de guerra comercial persistem, após a China anunciar taxação de importações de uma série de produtos dos Estados Unidos.

A valorização do yuan no mês passado chegou a ser vista como uma maneira de Pequim acalmar os ânimos de Washington. Mas os receios voltaram à medida que o governo Trump mantém a retórica protecionista e o país asiático responde.

"Riscos comerciais provavelmente chegaram ao pico, mas os riscos de noticiário persistem", diz o Goldman Sachs em nota a clientes.

No plano doméstico, o noticiário eleitoral ganha corpo e deve ser argumento para mais volatilidade. "O dólar deve testar em breve os níveis de R$ 3,35", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso. Ele lembra que em abril haverá definições sobre os candidatos à Presidência da República. O prazo para a desincompatibilização - saída de futuros candidatos às eleições que hoje ocupam cargos públicos - termina no próximo dia 7.

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