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Piora do mercado externo faz Ibovespa perder os 85 mil pontos

02/04/2018 18h35

O dia negativo no mercado americano determinou a queda do Ibovespa nesta primeira sessão do mês de abril. Em reação ao noticiário a respeito da disputa comercial entre Estados Unidos e China e também à discussão sobre uma nova regulamentação para o setor de tecnologia, investidores optaram por fugir do risco em busca de ativos mais seguros, o que se traduziu na queda não apenas das bolsas americanas como também das emergentes.

O Ibovespa terminou a sessão em queda de 0,82%, aos 84.666 pontos. Na mínima, foi aos 84.166 pontos, atingida quando as perdas em Wall Street se acentuaram.

Para o estrategista para renda variável para o Brasil do Itaú BBA, Luiz Cherman, o que está por trás desse movimento negativo, na verdade, o aumento do risco de o PIB americano não crescer como se previa. Esse receio se baseia na visão de que a inflação nos Estados Unidos está se normalizando, o que impediria o Fed de retomar uma política estimulativa caso venha a ser necessário. "Com essa percepção, o mercado acaba atribuindo um peso muito maior a notícias como o aumento do protecionismo dos Estados Unidos e a regulamentação do setor de tecnologia", diz. "O que está por trás da queda das bolsas é o receio de que, caso esses dois eventos venham a comprometer o crescimento, o Fed não poderá atuar, porque a inflação já está caminhando para 2%", explica. "O mercado perdeu o refúgio do Fed."

Esse novo ambiente, diz Cherman, pode tirar da bolsa brasileira um importante argumento para a alta no médio prazo. Ele diz que a recuperação da economia local já provocou o efeito que podia gerar sobre o "valuation" da bolsa já está nas máximas. "A bolsa perdeu o trigger de alta", diz Cherman. "Acho que teremos que discutir as perspectivas para a bolsa no médio prazo." O Itaú projeta um Ibovespa a 88.900 pontos no fim do ano, mas acredita que, no curto parzo, a bolsa tende a "patinar" ao redor do patamar atual. "O que limita quedas maiores do Ibovespa é o juro baixo, que estimula migração da renda fixa para ações."

A queda da bolsa só não foi maior porque Vale ON conseguiu se segurar no terreno positivo (1,87%), sob efeito da mudança na política de distribuição de dividendos da companhia.

Mas Petrobras PN e ON, bastante negociadas por estrangeiros por causa de sua liquidez, caíram, respectivamente, 2,29% e 2,23%, enquanto Itaú recuava 0,58%.

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