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Ibovespa segue exterior e tem recuperação cautelosa; dólar sobe

03/04/2018 14h01

O Ibovespa voltou a operar em leve alta nesta terça-feira (3), seguindo a melhora do humor externo. Mas, nem de longe, o comportamento do mercado sugere entusiasmo. Há alguma recuperação, mas há elementos de cautela que limitam os ganhos.

Às 13h45, o Ibovespa subia 0,48% aos 85.069 pontos. Na máxima, alcançou 85.411 pontos.

A persistência da cautela ficou clara mais cedo, quando declarações do presidente Donald Trump via Twitter fizeram as bolsas caírem imediatamente. Trump voltou a criticas a Amazon.com pelo uso do Serviço Postal dos Estados Unidos que, segundo ele, está custando "enormes quantias de dinheiro". As bolsas reagiram imediatamente em queda, mas retomaram a trajetória positiva em seguida.

Internamente, a expectativa pelo julgamento do pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Supremo Tribunal Federal (STF) é outra fonte de cautela. O evento tende a provoca reação do mercado. E, mais que isso, pode ser entendido como o início de um período em que o noticiário relacionado à eleição passa a ganhar mais relevância para as decisões de investimento, tendo potencial para reforçar atuações mais defensivas daqui para frente.

As ações mais negociadas até o momento são as blue chips Vale (- 0,51%), Petrobras (0,67%), e Bradesco (1,52%).

Câmbio

O real segue uma parte de seus pares emergentes e se desvaloriza ante o dólar nesta terça-feira, mas a moeda brasileira é afetada ainda pela ansiedade com o julgamento de Lula pelo STF.

Às 13h50, o dólar comercial subia 0,22%, a R$ 3,3211. O dólar para maio avançava 0,30%, a R$ 3,3280.

"O comportamento do câmbio está em função do que vai ser decidido amanhã", diz Jaime Ferreira, diretor de câmbio da Intercam. Ele lembra que será importante monitorar as ruas, com manifestações já programadas por grupos contrários e favoráveis ao ex-presidente.

De acordo com o estrategista de um banco estrangeiro, o risco político que compõe o preço do câmbio permanecerá enquanto o mercado não tiver mais clareza sobre tanto o impedimento de Lula quanto o sucesso de candidaturas mais pró-mercado.

Hoje, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, oficializou sua filiação ao MDB. A legenda não confirma se Meirelles é pré-candidato à Presidência da República, mas um jingle que sugere uma chapa Michel Temer-Henrique Meirelles já foi apresentado no evento de filiação do ministro da Fazenda, que tem patinado com cerca de 1% nas pesquisas de intenção de voto.

Juros

O exterior volta a ditar o tom do mercado de juros futuros nesta terça-feira. O ambiente menos adverso lá de fora até abre espaço para alguns ajustes nas taxas dos DIs, que recuaram durante boa parte da sessão. No entanto, os sinais de instabilidade nas bolsas americanas logo se traduzem em aumento da pressão por aqui.

Um "soluço" nas ações de Wall Street, minutos após a abertura da sessão em Nova York, foi acompanhado por diminuição da queda dos juros futuros. No início do período vespertino, as taxas dos DIs tinham a baixa praticamente zerada.

Operadores apontam que o sinal de alerta no exterior vem das preocupações com a disputa comercial entre Estados Unidos e China, assim como a onda de vendas de ações de tecnologia.

Para os juros futuros, a alocação de capital esbarra em algumas indefinições importantes tanto da cena política quanto do ciclo da política monetária.

A interrupção dos cortes da Selic parece ser uma realidade iminente. Isso poderia motivar os investidores a buscarem vencimentos mais longos, já que os curtos teriam ganhos reduzidos neste momento. No entanto, para que essa estratégia, de fato, engate no mercado, os players aguardam sinais mais claros de que existem motivos para encerrar o ciclo.

"Há alguns meses, o mercado vem trabalhando com a aproximação do fim do ciclo, mas toda vez teve uma surpresa com a inflação e o processo foi estendido", diz o estrategista de uma corretora. Com isso, também são postergadas as aplicações na curva longa.

Ao mesmo tempo, cresce o peso do quadro eleitoral no cenário, que ainda se mostra difuso. O amplo de número de possíveis candidatos à Presidência sem que um nome mais reformista desponte nas pesquisas acaba minando a confiança dos investidores. "Tivemos uma dinâmica muito positiva no começo do ano com a condenação de Lula, mas um movimento ainda mais positivo só deve vir quando houve mais clareza sobre o resultado da eleição", diz um operador.

Por volta das 13h55, as taxas operavam bem perto da estabilidade. ODI janeiro/2019 era negociado a 6,225% (mesmo nível do ajuste anterior); oDI janeiro/2020 apontava 7,080% (7,070% no ajuste anterior); oDI janeiro/2021 registrava 8,030% (mesmo nível do ajuste anterior); oDI janeiro/2023 subia a 9,030% (9,000% no ajuste anterior);o DI janeiro/2025 avançava a 9,530% (9,500% no ajuste anterior).

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