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Investidor busca proteção e leva dólar à máxima em 9 meses

O mercado de câmbio demonstrou nesta terça-feira conservadorismo típico de dias que antecedem eventos capazes de definir cenários de médio prazo. A busca por proteção levou o dólar ao maior patamar em mais de nove meses frente ao real, o que impôs à moeda brasileira o título de pior desempenho neste pregão, num claro descolamento ante seus pares.

Investidores intensificaram a postura mais defensiva na parte da tarde, cerca de 24 horas do início do julgamento pelo STF de habeas corpus preventivo impetrado pela defesa do ex-presidente Lula.

"Acho que o mercado está mais ansioso porque quer a prisão de Lula. Mas há um clima de que talvez isso não seja algo certo", diz o profissional de um banco em São Paulo.

A moeda já havia abandonado as mínimas do dia durante a manhã, mas acelerou mais os ganhos por volta de 14h30. Operadores não citaram notícia específica nesse horário, mas consideraram a possibilidade de zeragem de posições em ativos locais como forma de reduzir riscos diante ao aumento da ansiedade com o julgamento previsto para amanhã.

Real para trás

Evolução intradiária do dólar ante o real e outras divisas emergentes

Fonte: Valor PRO

Observações: Variação sobre o fechamento anterior.

No fechamento, o dólar interbancário subiu 0,72%, a R$ 3,3378. É o maior patamar para um encerramento desde 23 de junho do ano passado (R$ 3,3384).

Um ponto concentra as atenções: a posição da ministra Rosa Weber, já que a cabe a ela o voto decisivo no julgamento. Rosa tem sido vista como seguidora da indicação da maioria dos ministros da Corte, mas seu voto ainda é considerado uma incógnita.

Duas semanas atrás, o STF decidiu que Lula não poderia ser preso até a decisão do julgamento de quarta-feira. No mercado, o cenário-base continua o de que Lula ficará impedido de se candidatar às eleições de outubro. Porém, a indefinição sobre o futuro do petista tem colaborado para manter o real sob pressão nos últimos meses.

Jaime Ferreira, diretor de câmbio da Intercam, lembra que os mercados poderão ser influenciados também pelo movimento nas ruas, com manifestações já programadas por grupos contrários e favoráveis ao ex-presidente.

O peso da incerteza política sobre o câmbio, no entanto, não vem de agora. Já em março o real teve o segundo pior desempenho no mundo, enquanto em 2018 integra uma restrita lista de divisas que acumulam depreciação.

No ano, a moeda se desvaloriza 0,73%. A título de comparação, peso mexicano e peso colombiano ganham mais de 7% no mesmo período.

Mas analistas ressalvam que um conjunto de fatores, além do político, tem ditado essa dinâmica negativa ao real. A redução do "carry" tem favorecido posições de "hedge" na moeda brasileira, já que o custo dessa aposta caiu significativamente com a baixa da Selic a mínimas históricas. A piora dos termos de troca em meio ao recuo das commodities e ao ambiente externo mais instável também pesa.

De acordo com o estrategista de um banco estrangeiro, o risco político que compõe o preço do câmbio permanecerá enquanto o mercado não tiver mais clareza sobre tanto o impedimento de Lula quanto o sucesso de candidaturas mais pró-mercado.

Ele acrescenta que as incertezas eleitorais têm estimulado investidores a montar posições defensivas no exterior, o que implica fluxo de saída de moeda estrangeira. "E de uma forma ou de outra, o real sentiu a ausência da reforma da Previdência, perdendo um suporte que estaria presente caso o projeto tivesse sido aprovado", diz o profissional.

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