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Juros futuros longos avançam na véspera de decisão do STF sobre Lula

Os juros futuros registraram nesta terça-feira o pior desempenho diário em cerca de dois meses. Na etapa final da sessão, as taxas dos DIs com vencimentos mais longos saíram de níveis próximos da estabilidade para as máximas do dia, no salto mais acentuado desde o começo de fevereiro.

As incertezas na cena política se traduziram hoje numa postura mais defensiva dos investidores. De acordo com profissionais de mercado, os juros futuros foram alvo de "zeragem" de posições um dia antes do julgamento do pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A incógnita que pesa no mercado é o voto de Rosa Weber, que deve definir o futuro do ex-presidente. A ministra do STF já se mostrou contrária à prisão após condenação em segunda instância, sendo este o caso de Lula. No entanto, também se posicionou no passado a favor da jurisprudência da Corte, que hoje seria o de cumprimento de pena.

Para o operador de uma corretora paulista, a "zeragem" de posições pode ter sido feita mais pelo investidor estrangeiro que o local. Segundo ele, a concessão de habeas corpus a Lula "aumenta a insegurança jurídica".

No fim da sessão regular, o DI janeiro de 2025 subia 9 pontos-base, a 9,590%. Mantida essa diferença até o fechamento da sessão, será o avanço mais acentuado desde 2 de fevereiro, quando subiu 14 pontos-base.Em vencimentos ainda longos, o DI janeiro de 2029 voltou a dois dígitos, para 10,060%, pela primeira vez desde o fim de fevereiro.

Por mais que a condenação de Lula já o torne inelegível pela lei de ficha limpa, há preocupação no mercado é a de que, livre, o petista consiga encontrar brechas na legislação para entrar na disputa presidencial. Com isso, seria prejudicada a confiança na escolha de um governo mais alinhado à atual política econômica.

"[A decisão do STF] pode até suscitar a dúvida sobre a presença do Lula nas eleições", diz o sócio e gestor da Rosenberg Investimentos, Marcos Mollica. Até por isso, o profissional já reduziu a exposição ao risco, por causa também da volatilidade no exterior. "O risco é de que só teremos a decisão definitiva muito próximo do primeiro turno", acrescenta.

O risco eleitoral, que vai além do próprio processo de Lula, também motiva outros gestores a reajustarem suas estratégias.Na MRJ Marejo, não houve mudança de posição para o evento de amanhã. No entanto, a instituição tem trocado seus investimentos em posições de mercado para opções e "estratégias assimétricas", em virtude do cenário internacional mais volátil e a proximidade das eleições. Isso significa a aquisição de opções de compra em bolsa e de venda de dólar.

A ideia é estar preparado, sem riscos maiores, para a chegada de um candidato que continue com as reformas impostas pela atual equipe econômica e seja capaz de, principalmente, endereçar a reforma da Previdência o quanto antes, o que levaria os ativos brasileiros à "forte apreciação", diz o sócio e gestor da MRJ Marejo, Guilherme Foureaux.

No fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 marca 6,235% (6,225% no ajuste anterior); oDI janeiro/2020 apontava 7,090% (7,070% no ajuste anterior); oDI janeiro/2021 marcava 8,080% (8,030% no ajuste anterior); oDI janeiro/2023 avança a 9,090% (9,000% no ajuste anterior); e oDI janeiro/2025 sobe a 9,590% (9,500% no ajuste anterior).

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