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Cadastro positivo pode injetar R$ 1 trilhão na economia em três anos

A aprovação das mudanças na lei do cadastro positivo tem potencial para injetar até R$ 1 trilhão na economia em um prazo de três anos. A expectativa é que o projeto seja votado hoje pela Câmara dos Deputados.

A participação do crédito na economia, hoje pouco abaixo de 50% do Produto Interno Bruto (PIB), pode até dobrar com a implementação do cadastro positivo, segundo Rodrigo Abreu, presidente da Gestora de Inteligência de Crédito (GIC). "Em qualquer economia grande, os números são acima de 100% do PIB", afirmou Abreu, durante evento promovido em São Paulo nesta quarta-feira (4), pelo Bradesco BBI.

A expectativa é que os índices de inadimplência no sistema financeiro, que hoje estão ao redor de 4%, também venham a convergir com os das economias desenvolvidas, que variam entre 1% e 2%, disse Abreu.

O efeito mais imediato da medida deve ocorrer nos spreads de crédito, segundo Victor Loyola, vice-presidente da Serasa. "O mercado passará a conhecer quem são os bons clientes e oferecer taxas melhores", disse.

O cadastro positivo também pode estimular a competição no setor bancário, altamente concentrado no país, de acordo com Loyola. "O acesso a potenciais novos clientes passa a ser mais democrático, o que pode permitir a jogadores de menor estatura comer pelas beiradas", afirmou.

O benefício do cadastro positivo deve ocorrer não apenas para aqueles que forem considerados bons pagadores. "No Brasil, a taxa de juros ao consumidor é 8 vezes maior que nos Estados Unidos, não existe mais espaço para as taxas aumentarem", disse Loyola.

No modelo atual, em que as informações dos potenciais tomadores de crédito são limitadas, os bancos precificam o crédito pela taxa mais alta, segundo Pedro Cordeiro, diretor da Boa Vista Serviços. Ele afirmou que, em países como Espanha e Austrália, o crédito duplicou em um período de três anos após a medida.

Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que pretende colocar ainda hoje o projeto do cadastro positivo em votação no plenário da Casa. O projeto de lei complementar 441/2017 reforma a Lei do Cadastro Positivo, que já existe há sete anos. Na prática, o cadastro funciona como uma espécie de currículo financeiro do consumidor.

"A segurança e cadastro positivo são dois temas que a sociedade tem demandado muito dos parlamentares. Essa distorção dos juros para o consumidor faz com que a reunião do Copom seja vista com muita perplexidade, porque diminuem a taxa básica de juros, mas o reflexo nunca chega na ponta, no cheque especial e no cartão de crédito. Agora a gente vai avançar no cadastro positivo. Depois, vamos tentar avançar na autonomia do Banco Central", disse Maia, em Brasília.

Segundo o presidente da Casa, já existe um debate da autoridade monetária que será feita no Congresso sobre a desregulamentação do sistema financeiro para gerar mais competitividade no setor.

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