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Dólar fecha estável após intensa volatilidade em meio a STF e Lula

O mercado de câmbio deu nesta quarta-feira uma amostra da volatilidade que o espera para os próximos meses, à medida que a corrida eleitoral brasileira ganha novos contornos.

O dólar começou o dia em firme alta, se aproximando de R$ 3,37 no momento de maior força do pregão, ainda pela manhã. No início da tarde, porém, a cotação começou a arrefecer os ganhos. Não houve "trigger" específico, mas o movimento se deu conforme o STF começava o julgamento de habeas corpus ao ex-presidente Lula. Enquanto isso, as falas dos ministros geravam no mercado profusão de interpretações sobre o futuro do petista.

No meio da tarde, o dólar chegou a bater uma mínima na casa de R$ 3,32, antes de, finalmente, terminar a sessão em leve alta de 0,07%, para R$ 3,3403.

No mercado futuro, o dólar com vencimento em maio caía 0,31%, para R$ 3,3375, por volta de 17h30, cerca de 30 minutos antes do término da sessão na B3.

Nas últimas semanas, o câmbio já vinha embutindo riscos mais claros de Lula obter habeas corpus dos ministros do STF. Desde meados de março, a moeda subiu de R$ 3,25 para os quase R$ 3,37 alcançados hoje. Em 30 dias, o dólar avança 2,8%, o que deixa o real entre as moedas de pior desempenho no período.

Mas a forte alta registrada pela manhã já a partir de níveis mais elevados chamou vendas. Com a possibilidade de Lula se manter livre discutida entre investidores, o mercado sinaliza que agora vai se concentrar em outros pontos. O principal deles: a inelegibilidade do petista dentro da Lei da Ficha Limpa.

"Uma coisa de cada vez. Neste momento, o que importa é se ele [Lula] poderá concorrer ou não. E pela lei está impedido", diz um profissional de uma gestora.

Paulo Celso Nepomuceno, da Coinvalores Corretora, diz que, passado o julgamento do STF e considerando cenário em que o petista não é preso, a atenção do mercado se volta para o TSE, que poderá impugnar provável registro de candidatura do ex-presidente até setembro.

"Isso tem dado uma 'segurada' no mercado. Mas a percepção é que aumentou a chance de Lula concorrer às eleições", ressalva.

Num cenário de Lula impedido de concorrer às eleições, mas ainda livre, o ponto a que investidores chamam atenção é o papel do ex-presidente na campanha de um futuro candidato substituto pelo Partido dos Trabalhadores.

Para um outro gestor, é isso que ainda parece "mal precificado" nos preços. "Isso não faz o mercado entrar em liquidação porque não se acredita que qualquer candidato do PT fora Lula tenha chances. Mas de qualquer forma deixa a esquerda mais fortalecida", afirma o executivo.

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