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Ibovespa reduz perda e dólar sai a R$ 3,34 com investidor atento a STF

04/04/2018 13h55

Após registrar forte queda logo na primeira hora de negócios, o Ibovespa reduziu o ritmo de perdas e já ensaia retomar o nível de 84 mil pontos. A recuperação nos mercados americanos abriu espaço para que o índice diminuísse a intensidade da desvalorização, mas a cautela dos investidores antes do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém o mercado no campo negativo.

Um pouco antes de 13h45, o Ibovespa operava em queda de 0,73%, aos 84.005 pontos, após mínima de 82.826 pontos (-2,12%).

No exterior, a decisão da China de sobretaxar 106 produtos dos Estados Unidos, incluindo soja, carne congelada e aeronaves, gerou forte apreensão nos mercados globais no início do dia. Os temores de guerra comercial entre as duas potências derrubaram as bolsas americanas e influenciaram fortemente o Ibovespa.

No entanto, o clima negativo perdeu força em Nova York, o que também fez com que o Ibovespa recuperasse parte das perdas registradas no início do dia. O Dow Jones cedia 0,12% enquanto o Nasdaq ganhava 0,41%.

Apesar da melhora do humor global, localmente os investidores seguem na defensiva em relação ao julgamento do STF, impedindo uma recuperação mais ampla no mercado brasileiro. "

Apesar da redução do ritmo de perdas do Ibovespa, as blue chips, ações com maior liquidez, seguem no vermelho nesta quarta-feira, como Petrobras PN (-0,87%), Vale ON (-1,73%) e Itaú Unibanco PN (-0,16%).

Destoando do viés negativo do índice, Marfrig ON tinha alta de 3,70%.

Câmbio

O dólar sobe pelo terceiro pregão consecutivo ante o real nesta quarta-feira, sequência não vista desde fevereiro. A moeda já saiu dos picos, mas na máxima flertou com R$ 3,37, nos maiores níveis desde a turbulência de meados de maio de 2017, quando delações da JBS ameaçaram o governo Michel Temer e o projeto de reformas econômicas.

Hoje, a tensão no câmbio ainda segue relacionada ao risco de que o Brasil não consiga aprovar mudanças que reequilibrem no médio e longo prazo as contas públicas. O canal de transmissão de risco, desta vez, é eleitoral. O STF julgará nesta quarta-feira pedido de habeas corpus a favor do ex-presidente Lula, que no cenário-base de investidores está fora da corrida eleitoral.

Essa premissa ajudou a melhorar os preços dos ativos financeiros nos últimos meses. O dólar caiu forte quando Lula foi condenado em segunda instância pelo TRF-4 (janeiro passado). E a moeda americana tem reagido em baixa sempre que o petista vê diminuídas suas chances de concorrer às eleições.

Mas nas últimas semanas - e principalmente ontem - o mercado passou a colocar mais fichas na possibilidade de o ex-presidente não ser preso, considerando cenário em que o STF concede habeas corpus ao petista. O Valor trouxe nesta quarta-feira matéria na qual a percepção majoritária nos bastidores do STF é que a Corte tende a mudar a atual jurisprudência que permite a prisão após condenação em segunda instância. Lula já foi condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP).

Às 13h49, o dólar comercial subia 0,21%, para R$ 3,3447. Na máxima, foi a R$ 3,3678, pico desde 18 de maio do ano passado.

O mercado saiu das máximas conforme no exterior a percepção de risco de guerra comercial também diminuiu, após um início de dia mais tenso após a China retaliar os EUA com taxas sobre US$ 50 bilhões em importações vindas dos americanos.

Juros

Os juros futuros operam em firme alta nesta quarta-feira, sob intensa troca de contratos. Com quase metade da sessão percorrida, a liquidez já se aproxima do mesmo volume do pregão passado. De acordo com profissionais de mercado, os agentes financeiros se antecipam, com uma postura mais defensiva, à sessão no Supremo que tende a definir o futuro de Lula.

Num sinal dessa postura mais defensiva, os juros longos sobem forte desde a abertura. Na máxima, o DI janeiro de 2023 subiu 14 pontos-base, para 9,220%. Se mantido até o fechamento da sessão, será renovada o maior avanço desde 2 de fevereiro, quando subiu 15 pontos-base. Às 13h50, contudo, o contrato estava a 9,160%.

O que ainda inibe uma alta mais firme dos juros é a percepção de que Lula continua inelegível, independentemente da decisão de hoje. O problema é que essa confiança é prejudicada conforme a questão judicial se prolonga.

O DI janeiro/2019 era negociado a 6,245% (6,235% no ajuste anterior); oDI janeiro/2020 apontava 7,120% (7,090% no ajuste anterior) e oDI janeiro/2021 subia a 8,130% (8,080% no ajuste anterior.

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