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Lula se mantém cauteloso após voto favorável de Gilmar Mendes

(Atualizada às 17h25)O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve cautela, nesta quarta-feira (4), ao comentar o voto do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), favorável à concessão do habeas corpus preventivo do petista. Segundo relato do presidente do PT-SP, Luiz Marinho, Lula teria dito que é preciso aguardar o resultado final do julgamento.

"Lula sempre diz que é preciso aguardar o resultado final e não criar expectativa, nem positiva e nem negativa", afirmou Marinho a jornalistas, durante o intervalo da sessão do Supremo. Pré-candidato ao governo paulista, Marinho acompanha o julgamento ao lado de Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

O dirigente criticou a pressão do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, sobre o Supremo e disse que o militar não é "comentarista político" para expressar publicamente sua opinião sobre a decisão dos magistrados. "Ele não é comentarista político e precisa ter clareza em sua fala, precisa garantir serenidade à população", disse. "Recebemos a declaração dele com desconforto", afirmou Marinho. Na terça-feira (3), o general disse, em publicação no Twitter, que o Exército não aceita a impunidade.

Marinho afirmou também que os ministros do Supremo não devem se influenciar pela opinião pública. "Um juiz, ministro da Suprema Corte não pode se influenciar por torcida", afirmou o dirigente petista. "Tem que julgar conforme as provas, conforme suas convicções. Fico estarrecido quando um juiz, um desembargador diz que decide observando a opinião pública", afirmou.

Marinho voltou a dizer que Lula está com a "serenidade dos inocentes" e que não há provas contra o ex-presidente.

Lula está reunido com petistas em uma sala reservada no prédio do sindicato. Acompanham o petista, além de Marinho, a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-prefeito Fernando Haddad, os governadores Tião Viana (Acre), Wellington Dias (Piauí), Fernando Pimentel (Minas Gerais), os ex-ministros Miguel Rossetto e Paulo Vanucchi e lideranças de movimentos populares como Vagner Freitas, presidente da CUT, e Gilmar Mauro, do MST. Lula deve se pronunciar apenas depois do fim da sessão do Supremo.

Sindicato

O ex-presidente escolheu o sindicato, seu berço político, para assistir ao julgamento do habeas corpus, pedido por sua defesa ao STF, acompanhado depetistas,militantes,sindicalistas e integrantes de movimentos populares.

Dirigentes e parlamentares do PT se concentram em Brasília, em ato em frente ao STF.

Os ministros do Supremo devem decidir se Lula poderá ou não recorrer em liberdade, com recursos ao Superior Tribunal de Justiça e STF, da condenação a 12 anos e 1 mês pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, no processo envolvendo um apartamento tríplex no Guarujá, litoral paulista.

"Serenidade dos inocentes"

Um dos amigos mais próximos do ex-presidente, Marinho já havia dito mais cedo que Lula está com "a serenidade dos inocentes" e afirmou ter "certeza absoluta que Lula será agraciado" com o habeas corpus.

Marinho também já havia criticou a pressão do comandante do Exército e disse que a declaração do militar é "absurda".

"O que o Exército tem que se meter nisso? Depois de 50 anos da morte de Martin Luther King, grande liderança dos direitos civis, pela liberdade, igualdade, a gente assistir em um país democrático general do Exército se manifestar é um absurdo", disse Marinho, sobre a declaração do general.

"Esperamos que a Constituição seja a grande mandatária da responsabilidade que a Corte do Supremo tem com o país, com a democracia e com o direito constitucional", disse Marinho. "Tenho certeza absoluta que o Lula será agraciado com o habeas corpus."

O petista afirmou que "o Supremo nem deveria ter entrado na armadilha de analisar habeas corpus individual do ex-presidente Lula", mas sim deveria ter pautado a ADC [Ação Declaratória de Constitucionalidade]. "O Supremo não estaria nessa armadilha de confrontação como se fosse um Fla x Flu de quem é contra ou a favor de Lula. Nós, do PT, defendemos o que estabelece a Constituição."

Segundo Marinho, o país não ficará pacificado se Lula for retirado da disputa eleitoral deste ano. "Pacificar pressupõe que o povo seja ouvido e o povo está dizendo em pesquisas eleitorais que deseja eleger Lula. Qualquer outra saída não vai pacificar o país."

Marinho voltou a dizer que não há provas contra Lula no processo envolvendo um apartamento tríplex no Guarujá (SP) e espera que o Superior Tribunal de Justiça e o STF revertam a condenação. "Reviraram a vida do Lula e não encontraram provas. É a declaração de sua inocência", disse.

Quatro ônibus com integrantes do Movimentos dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) chegaram ao local. Os manifestantes pró-Lula são moradores da ocupação dos sem-teto em São Bernardo do Campo.

Dança

Apoiadores de Lula reunidos no Sindicato dos Metalúrgicos do ABCcantam e dançam após o início do julgamento do habeas corpus. No palco, músicos cantavam "Asa Branca", animando a militância de petistas e de integrantes de movimentos populares como o MTST, que chegaram em seis ônibus ao local.

Cerca de meia hora depois do início do julgamento, a sessão passou a ser exibida no sindicato, no andar onde estão os militantes petistas, que pararam de dançar para assistir o voto dos magistrados.

Veja o momento em que apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemoram o voto do ministro Gilmar Mendes, que foi favorável à concessão do habeas corpus preventivo.

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