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Decisão do STF sobre Lula puxa juros futuros para baixo

05/04/2018 17h56

A decisão do STF sobre o futuro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu espaço para forte queda dos juros futuros nesta quinta-feira. As taxas mais longas registram o recuo mais acentuado desde o final de janeiro, sob a leitura de que há menor risco eleitoral no cenário.

O DI janeiro de 2023 chegou a cair 14 pontos-base, para 8,960% na mínima do dia. Esta foi a maior queda desde 24 de janeiro, exatamente quando houve a condenação do petista em segunda instância pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

A percepção no mercado é que, agora, são pequenas as chances de o petista disputar a eleição, abrindo espaço para os demais candidatos.O movimento, entretanto, não foi acompanhado de euforia. O quadro eleitoral ainda parece estar fragmentado e os candidatos reformistas continuam com baixo apoio popular, mantendo a cautela entre os investidores.

As perspectivas para reformas fiscais ainda parecem "desanimadoras", diz o economista Edward Glossop, da Capital Economics. A menos que o ajuste avance nos próximos anos, as taxas de juros também devem subir, pesando sobre os títulos em moeda local.

Num ambiente de juros baixos, investidores ainda hesitam em aumentar as apostas no mercado de renda fixa, que enfrenta a "concorrência" de outros ativos como ações e fundos multimercados. Para especialistas, o segmento deve voltar a ganhar tração com uma clareza maior sobre o quadro político ou o início de nova etapa da política monetária.

O vice-presidente do Private Bank do Citi Brasil,Cesar Chicayban,acredita que há oportunidades tanto nos juros futuros quanto em títulos públicos indexados à inflação, as NTN-Bs. Isso porque as taxas ainda estariam acima do que ele projeta para a trajetória da Selic, formando um "prêmio" no mercado. "Mas naturalmente o cenário se baseia na expectativa de eleição de candidato reformista e tudo isso pode mudar em função do cenário eleitoral", afirma o especialista, que cuida da área de grandes fortunas. "Hoje, preferimos ser cautelosos com a renda fixa", acrescenta.

A postura no Citi Brasil também se deve ao fato de que o cenário atual de juro baixo força a busca por ativos com maior rentabilidade. No curtíssimo prazo, já está bem precificado um novo corte da Selic em maio, para nova mínima histórica de 6,25%. Até por isso, a estratégia é aplicar mais em ações, fundos multimercados, crédito privado e ativos no exterior. "É parte do processo de revisão de tolerância ao risco e do horizonte de investimento no Brasil", diz Chicayban.

No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro de 2019 marcava 6,245% (6,25% no ajuste anterior), ODI janeiro de 2020 cedia a 7,040% (7,12% no ajuste anterior), oDI janeiro de 2021 apontava 8,030% (8,12% no ajuste anterior),o DI janeiro de 2023 apontava 9,040% (9,15% no ajuste anterior) e oDI janeiro de 2025 recuava a 9,540% (9,66% no ajuste anterior).

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