ipca
-0,09 Ago.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Mercado mantém dólar acima de R$ 3,30

05/04/2018 18h28

A julgar pela abertura, tudo indicava que os vendedores de dólar dominariam a sessão desta quinta-feira, a seguinte após o STF decidir contra o ex-presidente Lula. Mas não demorou para a postura mais defensiva do mercado prevalecesse, diante da percepção de que o cenário eleitoral a partir de agora trará mais preocupação do que alento.

Já ontem algumas análises indicavam que, com Lula preso ou não, o próximo foco de preocupação do mercado seria o vigor - ou falta de - de candidaturas de centro-direita.

E a avaliação do governo medida pela pesquisa CNI/Ibope, divulgada hoje, acabou endossando esse tema como uma preocupação. O percentual de entrevistados que avaliam o governo Temer como ótimo ou bom caiu de 6% para 5% entre dezembro e o fim de março. Reportagem do Valordescreve os números do levantamento como "desanimadores" para quem pretende disputar a eleição.

Tampouco a candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dá sinais de força. No blog Casa das Caldeiras, a jornalista Angela Bittencourt relata especulações sobre insatisfação do ministro com o tratamento dado pelo MDB à sua pré-candidatura à Presidência da República.

"Mais fundamentalmente, quando a poeira baixar, investidores provavelmente vão se concentrar mais no fato de que os candidatos pró-mercado ainda patinam nas pesquisas", diz em nota Edward Glossop, economista para a América Latina da Capital Economics. Segundo ele, o resultado disso é que a perspectiva para a reforma fiscal parece "sombria".

Enquanto isso, prossegue a incerteza sobre o futuro de Lula. A decisão de ontem do STF apenas permitiu que o petista seja preso, mas está longe de garantir prisão no curto prazo. Nesse cenário, estrategistas do banco Brown Brothers Harriman consideram que o principal determinante para o cenário eleitoral a partir de agora é como o apoio do petista será redistribuído entre os demais candidatos de esquerda.

Num outro extremo, o BBH entende que Jair Bolsonaro (PSC-RJ) - pré-candidato mais à direita - tem inclinações "populistas" e que um cenário no qual ele vence as eleições dita "riscos potencialmente significativos".

"Os mercados estão subestimando o risco político no Brasil", resumem os profissionais, que veem o dólar em patamares acima de R$ 3,40 no curto prazo.

No fechamento, o dólar spot ficou praticamente estável, com variação positiva de 0,03%, a R$ 3,3414. A oscilação pequena, porém, foi suficiente para levar a moeda a uma nova máxima desde 18 de maio do ano passado, quando o mercado reagiu às delações da JBS contra Temer.

Na mínima do dia, o dólar foi a R$ 3,2956, queda de 1,34%, a mais intensa em um mês e maio.

A falta de ímpeto dos vendedores com o câmbio abaixo de R$ 3,30 sinaliza que a percepção de risco eleitoral - independentemente da decisão de ontem do STF - está maior que nas últimas semanas. E isso implica um patamar de equilíbrio mais alto para o dólar.

Numa janela de 30 dias, o real ainda cai 2,8%, quarta maior queda entre os principais rivais do dólar. Apenas ontem, investidores institucionais reduziram em US$ 650 milhões as apostas na queda do dólar ante o real, segundo dados da B3 baseados em contratos de dólar futuro e cupom cambial.

Para analistas, a decisão do STF impediu que o câmbio entrasse de forma imediata numa nova dinâmica negativa, mas está longe de colocar o dólar em patamares sustentavelmente mais baixos.

Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, diz que o risco agora está mais voltado para a fragmentação da corrida eleitoral, uma vez que diminuíram as chances de Lula concorrer ao pleito. "À medida que você deixa de polarizar, cria-se espaço para 'outsiders'", afirma.

Por ora, ele diz que o cenário-base ainda é de vitória de um candidato de centro-direita. Ainda assim, a estimativa do economista é de dólar mais próximo de R$ 3,36 ao fim do ano. "Se esse cenário não se concretizar e um 'outsider' vencer, não vejo ataque contra o câmbio, mas certamente o patamar de equilíbrio estará mais para R$ 3,50."

Mais Economia