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Sindicato que projetou Lula se transforma em símbolo de resistência

  • Edson Lopes Jr./UOL

    Multidão acompanha discursos de militantes do PT durante em frente ao sindicato

    Multidão acompanha discursos de militantes do PT durante em frente ao sindicato

Berço sindical e político de Luiz Inácio Lula da Silva, a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), transformou-se em um símbolo da resistência da esquerda à prisão do ex-presidente petista nesta quinta-feira. A rua em frente ao sindicato está tomada por militantes de partidos de esquerda como PT, PCO, Psol e PCdoB, por integrantes de movimentos sociais como CUT, MST e MTST e por simpatizantes do ex-presidente. Lula está reunido com dezenas de lideranças políticas e de entidades populares, que prestam solidariedade ao ex-presidente.

"Vai dar tudo certo", disse Lula a uma militante emocionada. "Fique tranquilo porque vamos vencer essa batalha", afirmou a outra pessoa, em meio a gritos de "Lula é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo" no sindicato. O ex-presidente distribuiu beijos e abraços e recebeu manifestações de apoio. Um apoiador disse ao petista que vai se formar no ensino superior neste ano graças ao Fies.

No carro de som estacionado em frente ao sindicato, aliados do ex-presidente se revezam em discursos contra o juiz Sergio Moro e a politização do Judiciário. Os pré-candidatos à Presidência pelo Psol, Guilherme Boulos, e pelo PCdoB, Manuela D'Avila, participam da manifestação contra a prisão de Lula.

O ex-presidente só deve decidir nesta sexta-feira (6) se vai se entregar à Justiça em Curitiba ou se vai esperar sua prisão em São Bernardo do Campo. Em seu despacho, o juiz Moro determinou que Lula tem de se apresentar até as 17h desta sexta-feira na sede da Polícia Federal em Curitiba. O ex-presidente tem ouvido petistas e advogados para definir sua estratégia e ainda há expectativa de conseguir algum tipo de recurso no Judiciário para postergar a detenção. Dirigentes do PT têm defendido que o ex-presidente não se entregue, para que a prisão seja transformada em um "evento" de resistência, com o ex-presidente cercado por seus aliados contra a decisão do juiz Sergio Moro.

A ordem de prisão do juiz atropelou os planos do PT, que havia marcado para esta sexta-feira um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, para que o ex-presidente se pronunciasse sobre a rejeição do Supremo Tribunal Federal do pedido de habeas corpus preventivo. O ato foi antecipado às pressas para mostrar resistência e os movimentos populares se mobilizaram para levar um contingente expressivamente maior do que o que foi levado ao mesmo local um dia antes, para acompanhar o julgamento do STF.

Lula cogita passar a noite no sindicato, cercado de aliados como a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, os deputados Luiza Erundina e Ivan Valente, ambos do Psol, parlamentares do PT e do PCdoB. Na sexta-feira, a mobilização deve continuar e o MST planeja levar 20 ônibus com militantes para o local, além de fechar 85 rodovias e estradas. De tempos em tempos, militantes que estão dentro do sindicato cantam "olê, olê, olá, Lula, Lula", na expectativa de ver o ex-presidente.

Segundo petistas, o ex-presidente só deve falar nesta sexta-feira. Desde que o STF rejeitou seu pedido de habeas corpus preventivo, na quarta-feira, Lula não se pronunciou publicamente.

No carro de som, dirigentes de partidos de esquerda defenderam a superação das diferenças neste momento, em defesa de Lula e da democracia. O presidente nacional do Psol, Juliano Soares, defendeu o direito de Lula ser candidato à Presidência e disse que todos os partidos de esquerda correm risco depois dessa decisão contrária ao ex-presidente petista. Moro foi classificado como "juizeco de quinta categoria" pelo dirigente partidário.

O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), disse que o juiz é um "covarde" e foi aplaudido pela militância. "Não vamos aceitar a prisão. Vamos fazer um cordão humano para resistir. Se quiserem prender Lula vão ter que ter coragem de vir aqui e fazer como fizeram na ditadura", disse. "Vamos ficar com Lula até o fim".

Dilma foi aplaudida pela militância e disse que a Constituição foi desrespeitada. Para a ex-presidente, a prisão de Lula foi antecipada porque havia a possibilidade de o ex-presidente obter uma decisão favorável no Supremo Tribunal Federal na próxima semana, se houver a discussão sobre Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADC) e uma eventual mudança no entendimento sobre a prisão depois da condenação em segunda instância. "Eles se apressaram. Por quê? Porque eles sabem que há pessoas de bem neste país em todas as áreas e que não concordam com perseguição", disse. "Estavam com medo de uma decisão favorável a ele", afirmou a ex-presidente. "A prisão faz parte do golpe que começou quando me tiraram da Presidência". A petista pediu resistência aos militantes.

O líder do MTST também defendeu a resistência e disse que a decisão contra Lula é um absurdo e uma injustiça. Boulos foi elogiado pelos petistas por ter mobilizado a base do MTST, sobretudo da ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo do Campo, para engrossar o ato em apoio a Lula.

Antes de participar da vigília no sindicato, que começou por volta das 20h30, Lula passou o dia reunido com seus advogados e dirigentes do PT em seu instituto.

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