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Dólar ronda R$ 3,42 e bate máxima desde 2016 com incerteza política

09/04/2018 18h05

O dólar demorou dois meses para subir da faixa de R$ 3,20 para R$ 3,30, mas precisou de pouco mais de 15 dias para avançar mais dez centavos e furar a barreira dos R$ 3,40, feito realizado nesta segunda-feira. A velocidade da alta emite pelo menos dois recados: o mercado foi pego de surpresa pela deterioração do cenário e agora prefere se proteger por enxergar riscos de piora adicional que levem a moeda a níveis ainda mais altos.

No mercado futuro, o dólar chegou a se afastar das máximas após a agência de classificação de risco Moody's melhorar a perspectiva da nota de crédito do Brasil de "negativa" para "estável". Mas o alívio durou pouco e, perto das 18h, a cotação já estava perto dos picos do dia.

Ainda não se percebe um claro e imediato movimento de mudança, para cima, nas estimativas para o dólar. O Itaú Unibanco, por exemplo, mantém projeção de R$ 3,25 para o fim deste ano. Mas Julia Gottlieb, responsável pela análise de contas externas e taxa de câmbio do banco, admite que os riscos a esse prognóstico "aumentaram" e que o viés é de alta para a moeda.

No que se tornou padrão nas últimas semanas, o real voltou a operar hoje entre as divisas de pior desempenho. A moeda brasileira teve a segunda maior queda entre 33 pares - apenas o rublo russo (-4%) conseguiu cair mais. No acumulado de abril, o câmbio doméstico também tem a segunda maior desvalorização, de 3,38%. A moeda da Rússia cai 5,71% no período.

O ambiente externo arisco é um dos fatores a pesar sobre o câmbio. Sinal da instabilidade que também afeta as praças lá fora, o dólar abandonou a queda de mais cedo e chegou ao fim da tarde em alta ante moedas como o peso mexicano, enquanto acelerou os ganhos frente ao rand sul-africano e à lira turca. Mas o real tem desempenho pior, o que para analistas está associado ao noticiário local - sobretudo político - e também à queda do diferencial de juros às mínimas históricas.

Ganha mais espaço a percepção de que a campanha eleitoral corre o risco de ficar ainda mais fragmentada, cenário que dilui votos e torna mais imprevisível o desempenho de candidatos de centro-direita, vistos como pró-reformas. E, mesmo com o ex-presidente Lula preso, os desdobramentos de pedidos de liminar ao STF ainda são um ponto de atenção, já que uma decisão favorável da Corte beneficiaria o petista.

"O mercado tenta entender as novas configurações, mas, de imediato, chega à conclusão que tudo que aconteceu até agora não teve efeito direto positivo sobre as candidaturas reformistas", diz o profissional de uma corretora em São Paulo, explicando o porquê da reação negativa dos preços dos ativos apesar dos reveses ao ex-presidente Lula.

No fechamento, o dólar comercial subiu 1,54%, a R$ 3,4188. É a maior valorização desde 7 de dezembro do ano passado (1,74%) e para o maior patamar desde 5 de dezembro de 2016 (R$ 3,4298).

Na máxima do dia, a cotação bateu R$ 3,4233.

A forte alta se deu a despeito de o Banco Central ter iniciado nesta segunda-feira as rolagens de contratos de swap cambial com vencimento em maio. O BC colocou todos os 3.400 contratos ofertados, ritmo que, se mantido, permitirá a rolagem integral dos US$ 2,565 bilhões nesses ativos com expiração em maio.

Para Jayro Rezende, gerente de tesouraria da unidade brasileira do Bank of China, o BC não tem de intensificar a atuação apenas porque o dólar mudou de patamar. Segundo ele, apesar da alta do cupom cambial e do fluxo cambial negativo, o mercado de câmbio segue funcional. "E se o BC atuar, deveria ser mais via linhas de dólares, não swap", afirma.

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