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Ibovespa vai contra bolsas globais e cai, de olho em cena política

09/04/2018 18h00

Com o ambiente político ainda turvo no Brasil, o Ibovespa começou a segunda semana de abril em tom negativo. O índice não teve força para acompanhar o exterior e outras bolsas emergentes e deu sequência a um ajuste, depois de fechar a semana passada com desempenho melhor do que Wall Street.

O Ibovespa encerrou hoje em queda de 1,78%, aos 83.307 pontos. Na mínima do dia, chegou aos 83.155 pontos. O Itaú BBA reforçou, em novo relatório hoje, que o índice segue "estacionado" no patamar entre 83 mil pontos e 85 mil pontos e depende agora de elementos que o direcionem para cima ou para baixo.

Além disso, preso aos atuais níveis, as posições em bolsa ficam mais sensíveis a pequenas oscilações de preço e acionam mecanismos de proteção contra perdas, o chamado "stop loss".

O volume, no entanto, foi mais modesto e somou R$ 7,7 bilhões. Segundo um operador, isso significa que as incertezas no campo político ainda limitam os ganhos do Ibovespa, mas os investidores não estão saindo de bolsa, e sim reduzindo posições que apostam em alta, ou "bullish", no jargão do mercado.

"Acho que está caindo a ficha de que a recuperação será lenta e os juros já estão nas mínimas e de que a ansiedade com eleição será grande até depois da Copa do Mundo, no mínimo", explica o gestor de um fundo paulista.

Com receios sobre a continuidade da agenda de reformas após as eleições deste ano, os agentes de mercado receberam com alívio a prisão do ex-presidente Lula na semana passada. No entanto, o tema ainda ronda os negócios, já que o STF tem um novo julgamento previsto para esta quarta-feira e que pode mudar o curso da pena para o petista.

Analistas se dividem em atribuir ao ambiente local e externo o protagonismo do movimento da bolsa e alguns especialistas notam que os receios com o crescimento mundial cresceram com o risco de uma guerra comercial entre Estados Unidos e China. Isso dificulta o interesse do investidor em se alocar em ativos de risco e aumenta a busca pelas opções mais seguras possível.

Mas o fato é que as estatais ? sensíveis à política ? passaram por mais um dia de intensas baixas. Petrobras PN (-3,52%) e ON (-2,88%) tiveram quedas firmes em dia de petróleo em alta, enquanto Banco do Brasil ON cedeu 3,64%. Entre os bancos, setor de importante peso e giro em bolsa, Itaú Unibanco (-2,22%), Bradesco PN (-3,79%) e Bradesco ON (-4,85%) também caíram.

O Ibovespa também cedeu em dia de ganhos não apenas em Nova York, mas também contra outras bolsas emergentes. Na África do Sul, houve alta na bolsa de 0,38% e, na Índia, de 0,48%; o IPC do México sobe 0,27%, enquanto o IPSA chileno avança 0,89%. A bolsa da Colômbia sobe 0,39% hoje e o Merval, principal índice da Argentina, ganha 0,37%.

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