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Juros futuros voltam a subir em meio a preocupações com riscos fiscais

As taxas dos contratos de DI voltaram a subir nesta segunda-feira (9), enquanto as incertezas no campo político trazem à tona os riscos sobre a situação fiscal.

Profissionais de mercado relatam que a reforma da Previdência e outros ajustes econômicos nunca deixaram a pauta. O que se percebe, entretanto, é que a intensificação do debate eleitoral volta a colocar o tema em evidência.Isso porque os candidatos reformistas ainda não geram confiança nas pesquisas de opinião, nem parecem ocupar o "vácuo" deixado pela prisão do ex-presidente Lula. Em paralelo, teme-se pela governabilidade de uma administração liderada por um nome pouco tradicional da política.

O recrudescimento das preocupações justifica a recomposição do prêmio de risco nos juros futuros, principalmente em vencimentos intermediários e mais longos.Até por isso, não se espera que o mercado "revisite" mínimas tão cedo. Este é o caso do DI janeiro de 2021, que caiu pontualmente abaixo de 8% no fim do mês passado. O nível não se sustentou desde então, em meio ao vaivém em Brasília e do aumento das preocupações com uma guerra comercial no exterior.

"Fica a sensação de que a venda de taxas agora tem pouco potencial de ganhos", diz o estrategista Paulo Nepomuceno, da Coinvalores. Ele aponta que, junto com as indefinições políticas, as preocupações sobre a sustentabilidade fiscal no médio prazo voltam a pesar no ambiente de negócios.A inflação está bem ancorada até 2020, mas a partir de então aumenta o peso da política fiscal.

"O risco é muito grande e prêmio no mercado não poderia ser pequeno, por mais que ainda se veja inflação bem-comportada no curto prazo", acrescenta.

Selic

Para o curto prazo, a instabilidade nos mercados locais - mesmo com o dólar próximo de R$ 3,40 - ainda não é motivo forte o suficiente para abalar a confiança numa baixa da Selic em maio.

"O corte (da taxa básica) para 6,25% ainda parece estar seguro, pois a inflação corrente e prospectiva o permitem", diz a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Marzola.

A volatilidade do câmbio, por enquanto, ainda não se traduz em risco inflacionário iminente. "Seria necessária a percepção de novo patamar de câmbio para a transmissão aos preços, o que, por enquanto pelo menos, não parece ser o caso", afirma a especialista. Ela destaca ainda que existe uma "enorme" capacidade ociosa do produto, o que tenderia a reduzir o repasse de um eventual choque cambial.

Para Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria, o que tende a ser colocado em risco é a visão de que a Selic poderia cair além de maio. "Esse movimento do câmbio diminui qualquer probabilidade de ter queda além do 6,25%", diz.

Ainda assim, a depreciação cambial teria efeito limitado na inflação. Em linhas gerais, um enfraquecimento de 10% da moeda nacional elevaria em 0,5 ponto percentual a inflação. Além disso, como destaca Jensen, o Banco Central tem reiterado que não deve combater efeitos primários do choque de oferta, como é o caso do câmbio.

"Se olharmos para os fatores que o BC tem salientado, a inflação corrente continua tranquila e as expectativas de inflação ainda estão em trajetória de baixa", diz o especialista.

Nesta terça-feira (10), será divulgado o IPCA de março, que deve dar suporte para o plano de voo atual do Copom de implementar mais um corte de 0,25 ponto da Selic em maio. A expectativa de analistas ouvidos pelo ValorData é de alta de 0,12% no indicador de inflação do mês passado.

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