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Ibovespa se recupera sustentado por NY e dólar bate R$ 3,42

10/04/2018 13h43

A recuperação observada nas bolsas americanas hoje sustenta o Ibovespa, após a forte queda do dia anterior. Mas os ganhos no Brasil seguem limitados, mostrando que há uma cerca cautela dos agentes. As incertezas eleitorais, a percepção de que o ritmo de crescimento será mais lento do que se previa e a postura mais seletiva dos investidores estrangeiros, em meio ao vaivém que se vê nos mercados globais nas últimas semanas, limitam a recuperação.

Ao redor de 13h30, o Ibovespa subia 0,82%, aos 83.918 pontos. Na máxima, alcançada no começo do dia, atingiu 84.280 pontos e, na mínima, recuou a 83.312 pontos. Em Nova York, os índices acionários operavam em alta.

No Brasil, os preços baixos acabaram atraindo compradores. A alta das commodities no exterior ajuda especialmente as blue chips Vale (3,12%) e Petrobras (PN: +2,78% e ON: 2,97%).

A maior queda do Ibovespa estava com Hypera ON (-4,72%), reagindo à notícia de que o escritório da empresa é alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal (PF).

Marfrig ON subia 14,48%, com a decisão da companhia de comprar a americana National Beef.Embraer ON avançava 5,15%.

Câmbio

O dólar demorou dois meses para subir da faixa de R$ 3,20 para R$ 3,30, mas precisou de pouco mais de 15 dias para avançar mais R$ 0,10 e furar a barreira dos R$ 3,40, feito realizado na segunda-feira. A velocidade da alta emite pelo menos dois recados: o mercado foi pego de surpresa pela deterioração do cenário e agora prefere se proteger por enxergar riscos piora adicional que levem a moeda a níveis ainda mais altos.

No mercado futuro, o dólar chegou a se afastar das máximas após a agência de classificação de risco Moody's melhorar a perspectiva da nota de crédito do Brasil, de "negativa" para "estável". Mas o alívio durou pouco e, perto das 18h, a cotação já estava perto dos picos do dia.

O ambiente externo é um dos fatores pesando sobre o câmbio. Sinal da instabilidade que também afeta as praças no exterior, o dólar abandonou a queda do começo do dia e chegou ao fim da tarde em alta ante moedas como o peso mexicano, enquanto acelerou os ganhos frente ao rand sul-africano e à lira turca. Mas o real tem desempenho pior, o que para analistas está associado ao noticiário local - sobretudo político - e também à queda do diferencial de juros às mínimas históricas.

Ganha mais espaço a percepção de que a campanha eleitoral corre o risco de ficar ainda mais fragmentada, cenário que dilui votos e torna mais imprevisível o desempenho de candidatos de centro-direita, vistos como pró-reformas. E, mesmo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preso, os desdobramentos de pedidos de liminar ao STF ainda são um ponto de atenção, já que uma decisão favorável da Corte beneficiaria o petista.

Às 13h37, o dólar comercial estava a R$ 3,4210, alta de 0,06%.No fechamento do dia anterior, a moeda subiu 1,54%, a R$ 3,4188. É a maior valorização desde 7 de dezembro de 2017 (1,74%) e para o maior patamar desde 5 de dezembro de 2016 (R$ 3,4298).

A forte alta se deu a despeito de o Banco Central (BC) ter iniciado nesta segunda-feira as rolagens de contratos de swap cambial com vencimento em maio. O BC colocou todos os 3.400 contratos ofertados, ritmo que, se mantido, permitirá a rolagem integral dos US$ 2,565 bilhões nesses ativos com expiração em maio.

Juros

O mercado de juros futuros tem um dia de intensa movimentação nesta terça-feira. Os agentes financeiros partem dos números do IPCA e do discurso adotado no BC para reforçar a aposta num corte adicional da Selic, a despeito da pressão do câmbio. No entanto, as incertezas do quadro político deixam, cada vez mais claro, que o fim do ciclo de flexibilização monetária é iminente.

Em sessão na CAE do Senado, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reiterou que vê como apropriada uma flexibilização monetária adicional em maio, mas também destacou o ciclo deve ser interropido em seguida.

Os comentários foram feitos num momento em que o dólar bate os R$ 3,40, o que trouxe alguma preocupação no mercado sobre a trajetória da Selic, já que a taxa de câmbio estaria acima dos R$ 3,30 que foram considerados no modelo do BC para projeção do IPCA neste ano.

Para a decisão de maio, a sinalização de Ilan vem na mesma direção que a trajetória benéfica da inflação, mantendo a aposta de redução da taxa de 6,50% para 6,25% na próxima decisão do Copom. Conforme informado hoje, o IPCA desacelerou para 0,09% em março, menor resultado para o mês desde o início do Plano Real, em 1994.

Por outro lado, também foi reforçada a visão de que a queda da Selic deve ser interrompida. "O balanço de riscos - com ruído político, piora do cenário internacional e desvalorização da moeda - indica que não devemos ter corte em junho", diz o economista sênior do banco Haitong, Flavio Serrano.

Com isso, os juros mais curtos se ajustam com variações um pouco mais contidas, de olho na política monetária.

No entanto, a cena política alimenta, mais uma vez, um ambiente propício para venda de ativos de risco e zeragem de apostas mais otimistas. E o impacto maior veio nos juros mais longos, que subiram durante boa parte da manhã. Evidência do deslocamento de posições, o giro por minuto no mercado é o mais elevado em três semanas.

A fragmentação das candidaturas de centro-direita, sem qualquer nome que desponte as pesquisas, eleva a preocupação com a continuidade da agenda de reformas num próximo governo.

O mercado, que parecia estar "complacente" com o risco político nos últimos meses, agora exige uma movimentação mais intensa dos reformistas, afirma o trader Matheus Gallina, da Quantitas. E fica a impressão de que a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter sido o último evento mais positivo para os mercados nos próximos meses.

O pano de fundo fica ainda mais adverso por causa da insegurança jurídica. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda pode avaliar uma mudança de regras sobre prisões de condenados em segunda instância. O ministro Marco Aurélio Mello teria intenção de colocar a questão na mesa já amanhã. O tema, entretanto, traz a objeção da Procuradoria Geral da República.

Por volta das 13h39, o DI janeiro/2019 marcava 6,275%, estável ante o ajuste passado, oDI janeiro/2020 apontava 7,120% (7,100% no ajuste anterior) eo DI janeiro/2021 subia a 8,160% (8,130% no ajuste anterior).

Entre vencimentos ainda mais longos, o DI janeiro/2023 avançava a 9,240% (9,190% no ajuste anterior) eo DI janeiro/2025 apontava 9,760% (9,700% no ajuste anterior).

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