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Dólar tem maior queda em duas semanas com ajuste técnico

11/04/2018 18h01

Investidores aproveitaram a quarta-feira menos instável no exterior para embolsar parte dos lucros contabilizados com a recente escalada do dólar. O resultado foi a descida da moeda de uma máxima de R$ 3,4233 para um fechamento de R$ 3,3853. A queda foi de 0,75%, a mais intensa em duas semanas. Na mínima, o dólar foi a R$ 3,3753.

Apesar de algum ruído nas praças internacionais devido às tensões geopolíticas entre EUA e Rússia em relação à Síria, de forma geral moedas de risco conseguiram ganhar terreno frente a um enfraquecido dólar. Mais cedo, dados de inflação abaixo do esperado nos EUA confirmaram a visão do mercado de que o Fed não tem razões para acelerar substancialmente o ritmo de elevações de juros.

À tarde, a ata da última reunião de política monetária do Fed chegou a trazer indicações mais "hawkish", mas nada que sugira altas mais agressivas de juros nos próximos meses.

Comentários do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, de que a autoridade monetária está pronta para atuar no mercado de câmbio se necessário ajudaram a pavimentar caminho para a queda do dólar ao longo do dia. Mas segundo analistas foi a ausência dos demandantes de "hedge" que permitiu o alívio nas cotações.

"A taxa do cupom curto superou os 4% [ao ano] na semana passada, mas já está abaixo de 3%. E teve fluxo nos últimos dias", afirma Roberto Serra, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos. Dados do BC mostraram que o fluxo cambial na semana passada foi o melhor em três meses.

O gestor já cogita adicionar posições compradas em reais (vendidas em dólar) ao portfólio de alguns fundos, dado espaço de queda para o dólar criado a partir da forte alta recente.

Serra discorda de avaliações de que o Banco Central teria errado ao promover rolagem parcial de linhas de dólares que expiraram no começo deste mês. Segundo dados do BC, houve recompra de US$ 1,5 bilhão nessas linhas na semana passada. Dias antes, a autoridade monetária havia promovido rolagem de US$ 2 bilhões nesse instrumento. Os números indicam, portanto, que o estoque total era de US$ 3,5 bilhões, dos quais US$ 2 bilhões permaneceram no mercado.

"O BC sabe que é um mês em que há fluxo", diz Serra, referindo-se à expectativa de entrada de recursos da safra agrícola, cujas exportações se intensificam em abril.

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