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Ibovespa ensaia recuperação, mas patina com Bradesco; dólar sobe

O Ibovespa entra na segunda etapa do pregão de hoje ameaçando uma recuperação. No entanto, o índice ainda tem dificuldades de superar o nível dos 85 mil pontos, sem novos elementos no ambiente político que justifiquem novas compras e com a pressão das ações do Bradesco.

Às 13h47, o Ibovespa oscilava perto da estabilidade, em leve queda de 0,20%, aos 85.417 pontos, depois de atingir a máxima intradia nos 85.577 pontos e uma mínima nos 85.025 pontos. O giro financeiro é de R$ 3,3 bilhões.

Apesar do dia positivo no exterior e de alta para as bolsas americanas, o investidor não vê argumento para ampliar a exposição nos ativos considerados de maior risco. Falta, segundo operadores, desdobramentos no campo político doméstico que deem suporte a esse movimento.

E, mais especificamente, a queda mais forte das ações do Bradesco justifica a falta de força do índice para dar sequência aos ganhos. Segundo o jornal "O Globo", o ex-ministro Antonio Palocci vem negociando em sigilo uma delação premiada com a Polícia Federal, em que promete revelar alguns dos principais clientes de sua consultoria.

Palocci, de acordo com a publicação, poderia implicar na delação pelo menos dois bancos, sendo um deles com grande atuação no varejo bancário. "Desde a [operação] Zelotes, o Bradesco ficou mais sensível a essas questões. E hoje poderia ser mais um dia de ganhos ao Ibovespa se não fosse por isso", afirma um operador.

A ação ON do Bradesco segue entre as maiores baixas do dia (-2,98%), seguida pela PN do banco (-2,01%). Na contramão, Itaú Unibanco PN sobe 0,43%, enquanto as units do Santander avançam 1,18%. O Banco do Brasil tem leve alta de 0,08%. A PN do Bradesco tem importante peso sobre o Ibovespa, de 8,15%; a ação de maior participação no índice, o Itaú, tem 11,4%.

A liderança das baixas do dia fica por conta da Telefônica Brasil, que passou a perder 3,60% no começo da tarde. Os investidores operam de olho em relatório do J.P. Morgan divulgado hoje, em que o banco reduz a recomendação para neutra e o preço-alvo dos papéis da tele.

Outras blue chips de grande importância para o Ibovespa também testam uma recuperação, mas de maneira modesta, o que também explica a dificuldade da bolsa de completar o terceiro dia de altas. A Petrobras ON sobe 0,21%, enquanto a PN opera estável. Já a Vale ON tem leve ganho de 0,02%.

Dólar

O dólar caminha para o terceiro pregão consecutivo sem valorização expressiva frente ao real, num dia marcado pela retomada de divisas que haviam sofrido firmes perdas nas últimas sessões.

Depois de superar R$ 3,43 nesta semana, o dólar chegou a uma mínima hoje de R$ 3,3650. O vaivém reforça a tese de que o câmbio mostrará mais volatilidade a partir de agora, conforme ganha corpo o noticiário político. Mas também indica que, em patamares mais acima de R$ 3,40, o mercado vê oportunidades de venda - tanto por operações de curto prazo (exportadores, por exemplo) quanto pela avaliação de que os fundamentos domésticos não justificam depreciação abruta da taxa de câmbio.

A mensagem dada ontem pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, de que a autoridade monetária está pronta para vender swaps cambiais em caso de necessidade também ajuda a estabilizar o dólar.

Como um todo, a quinta-feira é de ganhos para ativos de risco. O abrandamento da retórica do governo Trump em relação a Síria e Rússia e a expectativa de boa safra de balanços nos EUA melhoram a confiança do investidor, a despeito de, na madrugada, a China ter elevado o tom sobre temas comerciais.

Aqui, o dólar comercial tinha variação positiva de 0,41%, a R$ 3,3940. Nos últimos dois pregões, a moeda acumulou baixa de 0,98%, mas havia saltado 3,50% nas seis sessões anteriores - mais longa série de altas em 20 meses.

No mercado futuro, o dólar para maio tinha alta de 0,40%, a R$ 3,3936. A valorização reflete um ajuste, já que, ontem, esse vencimento de dólar futuro havia cedido 1,02%, mais que a queda de 0,75% da taxa à vista.

No Brasil, o noticiário político segue aquecido, mas não a ponto de gerar instabilidade, como na semana passada. Há expectativa pela divulgação ainda hoje de resultados da sondagem de intenção de votos realizada pelo instituto Ipsos. No domingo, é a vez do Datafolha. Como nota o jornalista Fernando Taquari, doValor, os dois levantamentos já medirão o impacto da prisão do ex-presidente Lula, ocorrida no fim da semana passada.

Juros

As taxas dos contratos de DI operam em firme baixa desde a abertura da sessão desta quinta-feira. Em mais um dia de câmbio bem-comportado e sinal positivo no exterior, encontra-se espaço o suficiente para debater o noticiário em torno da política monetária.

O DI janeiro/2019 cai a 6,230% (6,260% no ajuste anterior);O DI janeiro/2020 recua a 6,990% (7,060% no ajuste anterior);O DI janeiro/2021 cede a 8,000% (8,090% no ajuste anterior);O DI janeiro/2023 baixa a 9,100% (9,160% no ajuste anterior);O DI janeiro/2025 aponta 9,610% (9,670% no ajuste anterior).

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