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Dólar tem maior alta mensal desde eleição de Trump

30/04/2018 17h54

O mercado brasileiro sofreu com mais uma rodada global de alta do dólar. Num movimento que se intensificou no fim do dia, a divisa americana fechou o mês de abril aos R$ 3,5026, maior nível desde junho de 2016.

O avanço foi de 1,16% só nesta segunda-feira, num movimento bem alinhado às perdas das demais emergentes. A moeda brasileira teve o terceiro pior desempenho do dia, melhor apenas que o rublo russo e o peso chileno.

E a última sessão de abril pode servir como um retrato do mês: a alta do dólar foi generalizada nas praças internacionais, com variações mais intensas ante os emergentes. Por aqui, a alta do dólar somou 6,03%, que foi o salto mais intenso desde a novembro de 2016 quando o mercado enfrentou, com instabilidade, a eleição do presidente americano, Donald Trump.

O principal risco que se ouve de profissionais de mercado é um aperto monetário mais duro nos Estados Unidos. E juros mais altos por lá tendem a diminuir a atratividade de ativos de risco. Não é à toa que um índice do Deutsche Bank que mede a performance de moedas emergentes caiu 1,91% no mês, o recuo mais acentuado desde novembro de 2016 (-4,30%).

Em linha com esse sinal, o Dollar Index - que mede o desempenho da moeda americana contra divisas fortes, tem alta de 2,02% no mês até o momento, também a mais acentuada há cerca de um ano e meio (+3,18%).

A tendência para os próximos meses é que o dólar no Brasil siga rodando numa faixa mais elevada em função do cenário externo mais adverso e das incertezas cada vez maiores no cenário eleitoral interno, afirma o economista Luiz Fernando Castelli, da GO Associados.

Num estudo que leva em consideração o comportamento do dólar australiano ? uma importante referência para as moedas commodities e com alta correlação com o mercado brasileiro ?, Castelli conclui que 70% da depreciação do real brasileiro se deve à piora das condições lá fora, já as incertezas da cena política no Brasil, por 30%.

Mesmo que toda a incerteza externa se dissipe, um estudo do especialista mostra que o preço do dólar americano mudou de patamar. "Dado que o cenário externo parece ainda desafiador, a tendência é o dólar siga acima dos R$ 3,40 nos próximos meses", diz Castelli.

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