ipca
-0,21 Nov.2018
selic
6,5 31.Out.2018
Topo

Dólar bate máxima em 23 meses e ronda R$ 3,55

02/05/2018 17h44

O dólar fechou nas máximas em quase dois anos nesta quarta-feira e bem perto da taxa de R$ 3,55, superada durante os negócios. Após a decisão do Fed, a moeda até desacelerou os ganhos, mas rapidamente recobrou forças, seguindo a escalada da divisa no exterior em meio à piora de sinal em outros mercados, como ações e renda fixa.

Inicialmente, pesaram mais a ausência de citações sobre contínuo fortalecimento econômico e a inclusão do termo "simétrica" ao falar sobre a meta de inflação - sinalizando, assim, maior tolerância com altas dos índices de preços para acima da meta de 2%. Mas de forma geral o entendimento é que o Fomc manteve a porta abertura para pelo menos duas novas elevações de juros neste ano. E não se descarta uma terceira alta, que aumentaria o orçamento de aperto de juros neste ano para 100 pontos-base - ou quatro altas de 25 pontos-base.

No fim, a impressão que ficou é que o Fed se mostra disposto a subir juros num momento em que a economia já não parece estar no pico do ciclo de crescimento. E a combinação entre juros mais alto e atividade em moderação é negativa para ativos de risco, ao mesmo tempo que dá suporte ao dólar.

"Há espaço para o Fed subir o juro mais duas ou três vezes neste ano", dizem estrategistas do banco Brown Brothers Harriman.

O dólar já vinha em alta desde a manhã, após a geração mais forte de vagas de trabalho no setor privado americano, que fortaleceram expectativas para os dados gerais do "payroll" de abril - a serem divulgados na sexta-feira. Mas a moeda já vem em trajetória ascendente há semanas, conforme investidores reduzem posições vendidas no ativo diante da percepção de que a política monetária americana caminha para ser apertada mais rapidamente do que em outros mercados.

Entre as principais moedas, o real ocupava a terceira pior posição no dia, atrás apenas de peso argentino e lira turca, que operam nas mínimas recordes, afetadas por questões idiossincráticas.

A força do dólar, porém, é generalizada. A moeda oscila na máxima desde janeiro contra o peso mexicano, desde dezembro de 2017 frente ao rand sul-africano, desde dezembro de 2016 ante o rublo russo e desde abril de 2017 na comparação com a coroa sueca.

Mercado líquido

A subida de 13,34% do dólar desde a mínima de janeiro (R$ 3,1315) a princípio pode indicar redução de liquidez no mercado cambial e alguma demanda não atendida por "hedge". Mas não é o que mostram números.

Os últimos dados do Banco Central mostram que o fluxo cambial ao Brasil está positivo em US$ 13,075 bilhões em abril até dia 27. Sem saídas relevantes no dia 30, será o maior ingresso líquido mensal de recursos em três anos (em abril de 2015, as entradas foram de US$ 13,107 bilhões).

Ou seja, a alta do dólar não é reflexo de uma debandada de investidores do Brasil ou fechamento generalizado de posições.

O preço do dólar spot pode estar mais alto, mas o juro (custo) da moeda caiu mais recentemente, considerando a medida do cupom cambial. Essa taxa de curto prazo chegou a superar 3% ao ano nas últimas semanas, mas já se encontra mais próxima de 2,5%. Ambos os patamares, porém, já são considerados historicamente baixos, o que rebate teses de que o mercado poderia estar com falta de liquidez.

Isso explicaria, dessa forma, a decisão do BC de deixar vencer cerca de US$ 2 bilhões em linhas de dólar com compromisso de recompra. A data de liquidação da recompra está prevista para amanhã. No fim de março, quando o fluxo cambial estava negativo, a autoridade monetária já havia promovido rolagem parcial de lote de linha de dólar. Com a sobra de dólares de abril, o BC tem ainda mais "conforto" para recomprar esse volume, garantindo poder de fogo em caso de necessidade.

"O BC pode surpreender, mas acho que não há motivos para ele atuar no mercado. O preço do dólar está subindo no mundo todo. É um movimento que nos afeta também por vários motivos, mas não é uma questão nossa", diz Marco Caruso, economista do Banco Pine. Caruso estima, com base em seu modelo, que uma taxa de câmbio entre R$ 3,50 e R$ 3,57 é coerente com a mudança em algumas variáveis de fundamento do real, como os diferenciais de juros, hoje nas mínimas recordes.

Mais Economia