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Dólar pressiona ações e Ibovespa cai

O Ibovespa consolida no começo da tarde desta quinta-feira (3) o movimento negativo e já se acomoda abaixo dos 84 mil pontos, depois de ameaçar retomar o ritmo de alta ao romper, no fim de abril, as primeiras resistências técnicas.

A queda forte das bolsas americanas prejudica o desempenho do mercado brasileiro e, às 13h40, o Ibovespa cedia 1,21%, aos 83.524 pontos. Na mínima, o índice chegou aos 83.178 pontos.

A maior percepção de risco está levando o investidor a se desfazer de algumas posições, o que atinge em especial ações de maior liquidez, caso de Petrobras PN (-1,95%) e Cielo (-5,84%). Também caem Ultrapar (-10,40%), Via Varejo (-5,89%), Lojas Americanas (-3,40%) e Magazine Luiza (-4,89%).

Segundo um operador, a queda das bolsas americanas intensifica a pressão sobre ativos considerados mais arriscados. Em boa medida, o movimento do dólar, que ganha tração frente ao real em sintonia com o exterior, prejudica o desempenho do mercado de renda variável. Nem mesmo o sinal do Banco Central (BC), que realizou leilão de contratos de swap cambial para tentar apaziguar o movimento, foi o bastante.

"Enquanto o dólar não se acalmar, a bolsa não vai subir", diz o operador. "O investidor estrangeiro está atuando fortemente na ponta vendedora e evitando o risco. Isso está bem evidente."

Em relatório, o Itaú BBA destaca que a depreciação do real acertou em cheio a performance da bolsa em abril, em um movimento que vem se estendendo agora.

"As estimativas de lucro por ação para 2018 caíram em 1% em abril, confirmando nossa tese de que as revisões de ganhos já se enfraqueceram", afirma. "Os resultados do primeiro trimestre divulgados até agora estão mais negativos, com 63% das empresas entregando lucros abaixo do consenso."

No caso da Ultrapar, diversas notícias reforçam um panorama negativo para a empresa: depois dos dados do primeiro trimestre, todos os negócios da companhia estão diminuindo a previsão de investimentos, enquanto as perspectivas para a rede Ipiranga, maior negócio do conglomerado, deve ficar abaixo do previsto inicialmente.

Já em relação à Cielo, o Credit Suisse cortou o preço-alvo dos papéis da empresa e classificou o desempenho como negativo, depois das baixas em indicadores como a base de máquinas de cartão (POS).

Dólar

A sinalização do Banco Central de que poderá ofertar mais dólares para suavizar o movimento da taxa de câmbio surtiu efeito bastante limitado no mercado. O dólar abriu em queda, mas a piora do ambiente externo deu forças para a moeda voltar a subir. Mesmo com a intervenção, a cotação chegou a renovar a máxima em cerca de dois anos.

Por volta de 13h50, porém, a divisa cedia 0,43%, a R$ 3,5333. Já o dólar para junho era negociado no horário a R$ 3,550, em queda de 0,32%.

Há um debate sobre qual postura o BC deveria assumir diante da rápida depreciação do real, já que a moeda brasileira perde quase 7% neste ano, um dos piores desempenhos globais. Muitos analistas não esperavam intervenção neste momento, uma vez que a alta do dólar é parte de um movimento mundial, que no Brasil acaba encontrando mais espaço por uma série de fatores, entre eles a queda do diferencial de juros.

O Banco Central vendeu todos os 8.900 contratos de swap cambial ofertados nesta quinta-feira, em operação anunciada ontem com o objetivo de suavizar movimentos na taxa de câmbio.

Uma tese que começa a ganhar força é a que relaciona a atuação do BC ao ciclo de queda dos juros. O Copom decide o rumo da taxa Selic daqui a duas semanas e, até pouco tempo, o mercado tinha mais convicção em novo corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica, hoje na mínima histórica de 6,50% ao ano. Mas a disparada de 14% do dólar desde a mínima do ano, em janeiro, já levanta dúvidas sobre o espaço para a continuidade do afrouxamento monetário. E também sobre a possibilidade de manutenção do juro nos atuais patamares baixos.

Juros

O mercado de juros adota uma postura mais defensiva nesta quinta-feira, com altas pronunciadas nas taxas de curto e médio prazo. A atuação do Banco Central no câmbio desperta a discussão sobre qual seria o espaço, de fato, para uma nova redução do juro básico.

Enquanto o corte da Selic é colocado em questão, os investidores têm uma visão mais clara sobre cenários mais otimistas e retiram as apostas de quedas ainda mais pronunciadas da Selic. Até por isso, as taxas mais curtas dos contratos de DI operam em alta, mesmo com novos sinais de recuperação morosa da atividade econômica. Esse é o caso do DI janeiro de 2020, que sobe para 7,050%.

Para o trader de renda fixa Matheus Gallina, na Quantitas, a sinalização do BC sobre swap cambial mostra uma preocupação maior em relação a dinâmica do dólar no curto prazo. Isso trouxe certa cautela para o mercado. "Dado que o BC está preocupado com nível do dólar, isso pode significar que o cenário para o corte da Selic não sejam tão tranquilas", afirma. "É uma reprecificação das apostas no mercado, dado o nível de preocupação do BC que é interpretado hoje."

Ainda assim, na visão de Gallina, o corte de maio se mantém de pé. "O mercado pode questionar um pouco, sim, mas é difícil ter uma mudança tão relevante dado que o BC não sinalizava maior preocupação nos efeitos para a Selic", diz.

Por volta das 13h57, o DI janeiro/2019 subia a 6,275% (6,250% no ajuste anterior);DI janeiro/2020 avançava a 7,050% (6,990% no ajuste anterior);DI janeiro/2021 operava em alta de 8,040% (8,000% no ajuste anterior);DI janeiro/2023 avançava a 9,210% (9,200% no ajuste anterior);DI janeiro/2025 marcava 9,730% (9,730% no ajuste anterior).

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