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Juros futuros fecham em alta, ante instabilidade externa

07/05/2018 17h41

O cenário favorável a juros baixos nos mercados emergentes deve ser colocado à prova pela recente escalada do dólar. De acordo com especialistas, a instabilidade no câmbio mundial tende a expor os diferentes níveis de vulnerabilidade dessas praças, exigindo uma postura mais enérgica dos bancos centrais que se deparam com a ameaça de fuga de capitais ou salto inflacionário.

Nesta segunda-feira (7), as taxas dos contratos de DI voltaram a operar em alta, em meio à nova rodada de pressão no câmbio.No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 marcava 6,300% (de 6,275% no ajuste anterior), oDI janeiro/2020 fechou a 7,120% (7,060% no ajuste anterior), o DI janeiro/2021 subiu a 8,130% (8,040% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 marcou 9,300% (9,230% no ajuste anterior) e oDI janeiro/2025 avançou a 9,790% (9,730% no ajuste anterior).

A elevação de juros na Argentina, a 40% ao ano, é o caso mais emblemático dos riscos em torno da dinâmica entre câmbio e juros. A autoridade monetária do país vizinho decidiu atuar de maneira brusca para conter a depreciação da moeda local, que tem perda acumulada de 14% em 2018. O risco de contágio ou de um movimento semelhante em outros emergentes é limitado, afirmam os especialistas. Mas o caso argentino evidencia um momento de maior cautela para os emergentes.

"Países com fragilidades maiores vão sofrer grande pressão e os bancos centrais podem ter de agir", diz o sócio e gestor da Rosenberg Investimentos, Marcos Mollica. Para o profissional, o ambiente benigno para emergentes ainda está presente, com a inflação mundial contida e a perspectiva de crescimento sincronizado das economias globais. No entanto, as condições de liquidez internacional vão ficar gradativamente mais apertadas por causa da elevação de juros nos Estados Unidos e a consequente alta do dólar.

América Latina

Na América Latina, Brasil e Colômbia ainda estão no processo de flexibilização monetária. Já o Chile tem mantido suas taxas sem alterações e o México vem de um processo mais longo de alta de juros. Para o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, existe o risco de que alguns países tenham de subir mais juros ou antecipar um aperto monetário, não porque a inflação esteja saindo de controle, "mas por necessidade de proteger a conta de capital da balança de pagamentos". O tamanho do ajuste, entretanto, dependeria da qualidade dos fundamentos macroeconômicos.

O alerta também é colocado pela S&P Global Ratings. "Uma reversão das condições favoráveis do exterior colocaria os bancos centrais da América em uma posição difícil", afirmam os analistas da agência de rating. Essa pressão poderia vir de uma elevação dos juros dos títulos do Tesouro americano ou do fortalecimento do dólar por outros motivos que não sejam o crescimento da economia dos Estados Unidos. "O aumento associado dos prêmios de risco na América Latina pressionaria os bancos centrais a aumentar as taxas de juros ou aceitar taxas de câmbio mais fracas."

Selic

O Brasil ainda conta com amplas reservas cambiais e contas externas robustas para enfrentar os momentos de turbulência. Ainda assim, nas últimas sessões, os investidores têm assumido uma postura mais defensiva, diminuindo as apostas de cortes da Selic em maio.

"O Brasil não está entre os países com pior posição, mas tem incerteza política bastante elevada e uma agenda fiscal muito incompleta", diz Ramos. Se isso não avançar, o mercado fica vulnerável, não pela exposição ao risco externa em si, mas porque a parte doméstica ainda não está equacionada.

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