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Dólar flerta com R$ 3,60 com tensão global e Ibovespa opera volátil

A escalada do dólar está a ponto de levar a moeda a deixar para trás mais uma resistência técnica. Menos de duas semanas depois de ter superado a barreira de R$ 3,50, a cotação já está perigosamente próxima de R$ 3,60. Na máxima de hoje, bateu R$ 3,5932, novo pico desde 3 de junho de 2016 (R$ 3,597). às 13h45, a moeda subia 0,44%, a R$ 3,5688.

A subida do dólar no Brasil é um capítulo de uma história que é global. Nesta terça-feira, a moeda americana tem mais um dia de alta generalizada, alcançando picos do ano frente a divisas fortes e renovando máximas em 14 meses contra um conjunto de moedas emergentes.

Algumas moedas sofrem em particular. Enquanto o real oscila nas mínimas em dois anos, lira turca e peso argentino renovaram os pontos mais baixos já registrados por cada uma. Rublo russo está no menor patamar desde dezembro de 2016.

Questões geopolíticas pesam sobre os mercados hoje. O "The New York Times" publicou que o presidente americano, Donald Trump, disse ao presidente francês, Emmanuel Macron, que os EUA sairão do acordo nuclear do Irã. A rede de TV CNN informou que os EUA vão permitir sanções que afetam o acordo nuclear com aplicação dentro de alguns meses.

O temor é que o acirramento de temas geopolíticos abala mais a confiança de investidores na economia mundial, que poderia desacelerar mais.

Aqui, os ganhos do dólar são sustentados ainda pela indefinição do cenário eleitoral. O ex-presidente do STF Joaquim Barbosa afirmou em sua rede social que não será candidato à Presidência da República. O mercado vinha enxergando Barbosa como um candidato competitivo e mais de centro, com chances de dar continuidade à agenda de reformas.

Com sua desistência, a percepção é que o cenário político fica mais dividido entre extremos, algo malvisto pelo mercado.

"O mercado está órfão de um candidato competitivo e que atenda à agenda de reformas", diz Arnaldo Curvello, sócio-diretor da Ativa Wealth Management.

Bolsa

O Ibovespa tem oscilado entre os campos positivo e negativo ao longo da sessão, acompanhando a apreensão global em relação à continuidade ou não do acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã.

Por um lado, os resultados trimestrais de Petrobras e Magazine Luiza foram bem recebidos por analistas, e influenciam positivamente o índice; por outro, a retração nos preços do petróleo ? que chegaram a ceder 4% na sessão ? e a cautela dos investidores exercem pressão negativa.

Nesse contexto, o Ibovespa tem se mantido na faixa entre 83.281 pontos (+0,69%) e 82.201 pontos (-0,62%). Por volta de 13h45, o índice operava em alta de 0,25%, aos 82.923 pontos, com giro de R$ 5 bilhões ? o volume projetado ao fim do pregão é de R$ 10,9 bilhões.

As ações da Petrobras são o destaque do dia. No início da sessão, os papéis operavam em alta de mais de 2%, impulsionados pelos resultados trimestrais fortes e pelo anúncio de retomada no pagamento de proventos pela estatal. No entanto, a forte depreciação do petróleo, em meio à incerteza quanto ao rumo a ser tomado pelos EUA em relação ao acordo com o Irã, impactou o desempenho das ações.

Petrobras PN (-0,22%) apresenta o maior giro financeiro do dia, com R$ 1,05 bilhão, ou 20,8% do volume negociado do Ibovespa. Petrobras ON (-1,25%) tem giro de R$ 136 milhões ? detentores de ações preferenciais possuem prioridade no recebimento de proventos, o que pode explicar a diferença no desempenho entre as classes de papéis.

Além disso, um operador afirma que a forte valorização da moeda americana ante o real ajuda a trazer volatilidade extra ao Ibovespa hoje. O dólar comercial chegou a bater o nível de R$ 3,59 hoje ? no momento, opera em alta de 0,5%, a R$ 3,5692.

Na ponta positiva do indicador, destaque para Magazine Luiza ON (+9,94%), reagindo ao resultado trimestral da companhia, considerado forte pelo Brasil Plural. Suzano ON (+4,2%) aparece em sequência, beneficiada pelo dólar em alta.

Na ponta oposta, Bradespar PN (-5,93%) reage à notícia de que fundos de pensão estatais sócios da Vale podem acionar a empresa numa disputa envolvendo o Opportunity, que tem Daniel Dantas como um dos sócios fundadores. Já Smiles ON (-4%) cai após registrar queda de 0,8% no lucro líquido do trimestre, para R$ 155 milhões.

Juros

Faltando uma semana para a reunião do Copom, o mercado reverte boa parte das apostas no cenário de juros baixos no Brasil. Até mesmo a expectativa mais firme, de que a Selic cairá pela última vez em maio, perde a confiança de agentes financeiros diante da persistente alta do dólar e das incertezas no exterior.

ODI janeiro/2019 subia a 6,345% (6,300% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 avançava a 7,290% (7,130% no ajuste anterior); oDI janeiro/2021 tinha alta a 8,300% (8,160% no ajuste anterior); oDI janeiro/2023 subia a 9,440% (9,330% no ajuste anterior); eo DI janeiro/2025 avançava a 9,920% (9,820% no ajuste anterior).

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