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Dólar flerta com R$ 3,60 e desafia cenários de analistas

08/05/2018 18h01

O "bull market" do dólar somou mais um dia nesta terça-feira, sessão marcada por nova e generalizada valorização da moeda americana. No Brasil, a cotação beirou R$ 3,60 menos de duas semanas depois de ter furado a barreira dos R$ 3,50. No exterior, lira turca e peso argentino renovaram mínimas recordes, em meio ao recrudescimento de preocupações geopolíticas e reveses locais.

A surpreendente alta do dólar tem desafiado os cenários de analistas, que até pouco tempo atrás contavam com a extensão da trajetória de queda da moeda americana iniciada no ano passado. O principal argumento para essa tomada de fôlego do dólar é a leitura de que o diferencial de crescimento entre os Estados Unidos e o mundo tem aumentado. Associado a juros mais altos nos EUA, isso deflagrou uma corrida para desmontar posições vendidas em dólar, que recentemente haviam alcançado máximas em sete anos.

Real x moedas emergentes

Evolução da divisa brasileira e de uma cesta de pares emergentes

Fonte: Valor PRO.

Ao mesmo tempo, os problemas de alguns emergentes começaram a ficar mais evidentes. A Argentina ingressou em nova crise cambial e já busca ajuda financeira do FMI, cenário que lembra a realidade de vários emergentes na década de 1990, inclusive o Brasil. Turquia segue às voltas com a ampla necessidade de financiamento externo em meio à desconfiança com a política econômica local. Rússia sofre com sanções dos EUA.

Dólar em alta

Variação das moedas frente à divisa americana nesta terça-feira

Fonte: Valor PRO.

Dólar sobe em 2018

Peso argentino lidera perdas globais

Fonte: Valor PRO.

E o real brasileiro segue afetado pela combinação entre queda do diferencial de juros e incerteza política. Hoje, o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa afirmou em sua rede social que não será candidato à Presidência da República. O mercado vinha enxergando Barbosa como um candidato competitivo e mais de centro, com chances de dar continuidade à agenda de reformas.

Com sua desistência, a percepção é que o cenário político fica mais dividido entre extremos, algo malvisto pelo mercado.

"O mercado está órfão de um candidato competitivo e que atenda à agenda de reformas", diz Arnaldo Curvello, sócio-diretor da Ativa Wealth Management.

Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, que o nível "justo" do dólar está abaixo do atual, em torno de R$ 3,50. Ainda assim, ele não considera "absurda" uma taxa perto de R$ 4,00 nos próximos meses, justamente pelo receio de que o quadro eleitoral fracasse em trazer alívio.

"A alta do dólar de agora tem ocorrido com moderado aumento do prêmio de risco-país. A questão é que, com a eleição, pode haver realmente uma deterioração da percepção de risco, o que hoje não está no preço do dólar."

No fechamento, o dólar comercial subiu 0,49%, a R$ 3,5705. É o maior patamar desde 2 de junho de 2016 (R$ 3,5859). Na máxima intradia, a cotação bateu R$ 3,5932.

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