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Ambev justifica vendas em queda no Brasil: "Não competimos sem margem"

09/05/2018 15h21

(Atualizada às 15h24) Em teleconferência para analistas de mercado e investidores nesta quarta-feira (9), para comentar os resultados do 1º trimestre, a Ambev disse estar confiante de que vai entregar resultados mais fortes a partir do segundo trimestre do ano, suportada pelo seu portfólio de produtos.

No Brasil, no intervalo entre janeiro e março deste ano,a receita líquida apresentou uma queda de 1,8% na comparação anual, para R$ 6,18 bilhões. No período, as vendas em volume recuaram 11%, para 24,5 milhões de hectolitros.

"A perspectiva é de um crescimento em vendas no Brasil no segundo trimestre em volume. Isso vai ser obtido com o nosso portfólio, sem abrir mão de rentabilidade. Não faz parte do nosso jogo competir sem margem, ou com margem negativa, apenas para crescer em volume", afirmou Bernardo Paiva, presidente da Ambev.

O executivo também disse que espera recuperação em vendas no Brasil de refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas.

Segundo Paiva, a tendência do mercado é de melhora gradual no consumo. E a Copa do Mundo da Fifa também deve ajudar a impulsionar as vendas.

O executivo acrescentou que a companhia possui um portfólio amplo de marcas, com opções de cervejas de todos os tipos, incluindo artesanais, especiais, pilsen, entre outros.

"A Ambev trabalha com cervejas de atributos distintos, para diferentes ocasiões de consumo e para diferentes segmentos do mercado", afirmou Paiva.

Inflação

A Ambev informou que trabalha para que as suas despesas no ano apresentem um crescimento abaixo da inflação. A afirmação foi uma resposta a questionamentos sobre o aumento dos gastos com marketing em função da Copa.

Ontem (8), a sua controladora Anheuser-Busch Inbev (AB InBev) anunciou que o grupo faria o seu maior investimento em marketing da história, com uma campanha global para divulgar a marca Budweiser como patrocinadora oficial da Copa do Mundo em 2018.

Questionadas, a Ambev e a AB InBev informaram que não divulgam dados de investimento em marketing. Na Copa do Mundo de 2014, a AB Inbev chegou a aumentar em 22% os seus gastos com vendas e marketing, no segundo trimestre, para US$ 1,94 bilhão, como parte dos investimentos para estimular as vendas da marca Budweiser no mundo durante os jogos da Copa.

"A expectativa é de uma recuperação gradual em vendas no Brasil, acompanhando a melhoria do PIB [Produto Interno Bruto], e com custos sob controle, gerando como efeito melhoria na margem de lucro", afirmou Ricardo Rittes, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Ambev.

O executivo também disse que a companhia deve sofrer impacto positivo com a variação cambial sobre custos no segundo trimestre. Esse resultado positivo será parcialmente anulado pelo aumento nos custos de matérias-primas, principalmente do alumínio. "O alumínio representa 30% do nosso custo de produção no Brasil. Mas, ainda assim, o cenário é mais favorável para custos a partir do segundo trimestre", afirmou Rittes.

Em relação às operações em outros países, o executivo destacou o crescimento forte de vendas na Argentina e o resultado fraco no Canadá. O executivo disse que a companhia espera melhorias em vendas na América Latina, de modo geral, principalmente em função da Copa do Mundo. Para o Canadá, ele disse que a perspectiva é que o país apresente resultados positivos no longo prazo.

Refrigerantes

As vendas da Ambev no Brasil de refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas recuaram 19,4% em volume no primeiro trimestre do ano, para 5,96 milhões de hectolitros. A receita líquida da divisão caiu 6,4%, para R$ 864,8 milhões.

Rittes disse que a Ambev mantém uma visão positiva para a categoria no longo prazo. Para cerveja, a companhia estima aumento no volume de vendas já no segundo trimestre do ano.

"A indústria de refrigerantes é mais elástica, tem variações mais fortes que em cerveja. Mas o desempenho do primeiro trimestre não muda nossa visão de longo prazo. A companhia entende que esse trimestre é mais volátil e continua animada com o que vem pela frente", afirmou Rittes, sem dar mais detalhes.

O executivo disse que, no primeiro trimestre, as vendas foram afetadas por uma retração do consumo de refrigerantes no país como um todo e por uma base de comparação alta do primeiro trimestre de 2017. No ano passado, enquanto o setor encolheu um dígito alto, as vendas da Ambev ficaram estáveis. Neste ano, o mercado de refrigerantes encolhe um dígito médio.

Rittes acrescentou que as vendas de outras bebidas, como sucos Do Bem e o energético Fusion, tiveram desempenho acima da média da categoria.

A Ambev reforçou que continua confiante em relação ao seu portfólio de produtos não-alcoólicos.

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