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Dólar bate R$ 3,60 após declaração de Ilan; Ibovespa sobe

09/05/2018 13h47

O dólar não dá trégua e volta a subir frente ao real nesta quarta-feira. Após flertar com o patamar ontem, a moeda superou a marca psicológica de R$ 3,60, maior nível em dois anos. Neste ano, o dólar já sobe 8,56% e avança 13% nos últimos 12 meses.

Às 13h40, o dólar comercial tinha alta de 0,74%, a R$ 3,5971. Na máxima, foi a R$ 3,6016.

A divisa brasileira retoma o padrão em vigor durante os últimos meses e tem performance pior que seus pares. O real amarga a segunda maior queda hoje, atrás apenas do combalido peso argentino, em queda livre há vários dias.

Ontem, o real "sofreu" junto com seus pares emergentes e chegou a mostrar desempenho melhor que vários deles, em meio a um dólar amplamente forte. Mas hoje analistas atribuem a "underperformance" à percepção de que o Banco Central não tem emitido sinal suficientemente forte para acalmar investidores sobre a dinâmica do câmbio.

Em entrevista ontem à noite à "GloboNews", o presidente do BC, Ilan Goldfajn, classificou a subida do dólar como "normal" e parte de um processo que afeta ainda outros emergentes, em meio a uma tendência global de ganhos para a divisa americana. Ilan reiterou que a oferta de swaps cambiais visa garantir bom funcionamento do mercado de câmbio. Na mesma entrevista, o presidente do BC sinalizou que a Selic cairá na próxima semana, esfriando especulações de que o BC poderia adotar uma postura mais conservadora e manter os juros estáveis.

"O mercado esperava uma fala mais contundente do Ilan", diz o operador de câmbio de um grande banco. "Não vi atenção devida ao movimento do câmbio, que é de certa forma especulativo. E com tudo isso ainda indicou que o juro volta a cair. [...] Isso está provocando um 'steepening' [aumento de inclinação via alta de juros longos] na curva de DI", destaca o profissional, para quem a inação de Ilan piorou a dinâmica de ambos os mercados.

A queda dos diferenciais de juros entre o Brasil e o mundo tem sido uma das variáveis mais citadas para explicar a desvalorização do real. "De certa maneira, foi o grão de areia que desestabilizou o castelo e provocou uma reação do mercado na direção da compra de Dólar", afirmam os gestores do Fundo Verde em relatório de gestão do mês de abril.

A equipe de gestão do fundo, liderada por Luis Stuhlberger, admite que a alta do dólar tem surpreendido, mas mantém posição comprada em reais.

"Víamos [e continuamos a ver] o Real com 'valuation' equilibrado, fluxos estáveis, déficit em conta corrente baixo e contido. Por isso decidimos ter a moeda dentro de um conjunto de posições construtivas", afirmam no relatório.

A queda dos diferenciais de juros tornou mais barato o "hedge" na venda de real - ou mesmo apostas direcionais contra a divisa brasileira. E essa dinâmica ocorre sobretudo no mercado futuro, mais líquido e menos regulado em comparação ao spot.

Isso ajuda a explicar a alta de 6% do dólar em abril a despeito do fluxo cambial recorde de US$ 14,4 bilhões no mês passado. Para qualquer mês, esse é o maior saldo desde julho de 2011 (US$ 15,825 bilhões).

Em um sinal de que há liquidez no mercado, a posição líquida dos bancos na ponta da venda de dólar à vista caiu a US$ 6,337 bilhões, menor patamar desde agosto de 2013, quando era vendida em US$ 4,190 bilhões. Quanto mais sobra moeda, menos os bancos precisam prover dólares ao mercado.

E com o superávit cambial, o BC optou por recomprar os dólares vendidos ao mercado em operação casada com recompra. Em abril, US$ 1,5 bilhão voltaram ao BC. E neste mês o BC liquidou a recompra de US$ 2 bilhões.

Com isso, a autoridade monetária zerou sua posição em dólares com compromisso de recompra.

Bolsa

O Ibovespa tem uma sessão positiva nesta quarta-feira, influenciado pela forte valorização nos papéis da Petrobras. O otimismo em relação à estatal e a conjuntura externa favorável, com altas expressivas nas cotações do petróleo, fazem com que as ações da empresa renovem as máximas intradiárias em anos.

Por volta de 13h40h, o Ibovespa operava em alta de 1,26%, aos 83.998 pontos, na máxima do dia. O giro financeiro do indicador atinge R$ 5,1 bilhões até o momento, o que implica num volume de negociações de R$ 11,3 bilhões ao fim do pregão.

Petrobras PN, em alta de 5,76% e com R$ 1,44 bilhão de giro, e Petrobras ON, com valorização de 8,77% e R$ 258 milhões de volume negociado, são os principais impulsionadores do índice, reagindo a uma série de notícias positivas para a companhia.

"O resultado trimestral continua recebendo boas análises das principais casas, o que mostra um positivismo [em relação à empresa]", diz o gestor de operações da Coinvalores, Marco Tulli Siqueira. "O anúncio de JCP, mesmo que pequeno, também anima os investidores".

Segundo profissionais, o resultado positivo anunciado ontem justificou um aumento de posição por parte de muitos fundos de investimento, o que justifica a disparada do papel. Esse é o caso da Mauá capital, que elevou a presença da ação preferencial em sua carteira após o resultado. "Gostamos do que vimos no balanço e o petróleo em alta, de quebra, também ajuda", explica o sócio da Mauá, Renato Ometto.

Em relatório, o Credit Suisse classificou o balanço da Petrobras no primeiro trimestre como "sólido", destacando o anúncio da distribuição de juros sobre capital próprio no montante de R$ 0,05 por ação. Também em relatório, o UBS mostra uma visão positiva em relação à estatal, analisando que, apesar de ter anunciado condições iguais de pagamento de JCP para detentores de ONs e PNs no trimestre, a previsão é que, no fechamento do ano, os preferencialistas tenham remuneração maior.

Além disso, a Petrobras divulgou nesta manhã o início de negociações para venda de sua participação acionária em duas fábricas de fertilizantes para a empresa russa Acron, o que, segundo Tulli, também ajuda as ações da estatal na sessão de hoje.

Por fim, a forte alta nas cotações do petróleo ? tanto o Brent quanto o WTI avançam quase 3% hoje ? em meio ao rompimento do acordo nuclear entre EUA e Irã dá o impulso final para o forte desempenho dos papéis.

Ainda na ponta positiva, destaque para Marfrig ON (+8,22%), reagindo às notícias de avanço nas negociações de venda da Keystone, e para Gerdau PN (+5,33%), na esteira da divulgação dos resultados trimestrais ? o lucro de R$ 448,4 milhões ficou em linha com as projeções, mas a rentabilidade da empresa surpreendeu analistas.

Do lado oposto, Gol PN (-7,47%) e Tim ON (-6,81%) são as piores perdas do índice. No caso da companhia aérea, os resultados trimestrais ficaram em linha com a projeção de bancos, mas os papéis são afetados pelo cenário de forte valorização do dólar ante o real e pelo novo patamar do petróleo, variáveis que pressionam fortemente os custos da empresa.

Já a operadora de telefonia recua com as dúvidas quanto a um contrato de licenciamento de uso da marca TIM entre Telecom Itália e a subsidiária brasileira entre 2018 e 2020, o que desfez a boa impressão deixada pelo balanço trimestral da empresa.

Juros

Ao longo da curva de juros, apenas as taxas de curto prazo encontram espaço para melhora. Essas taxas recuam desde a abertura da sessão após Ilan Goldfajn sinalizar que a Selic ainda deve cair na semana que vem. Os demais trechos, entretanto, voltam a operar sob a pressão das incertezas no exterior e a escalada do dólar.

ODI janeiro/2019 cai a 6,290% (6,330% no ajuste anterior);DI janeiro/2020 sobe a 7,340% (7,270% no ajuste anterior);DI janeiro/2021 avança a 8,420% (8,290% no ajuste anterior);DI janeiro/2023 tem alta a 9,660% (9,480% no ajuste anterior);DI janeiro/2025 sobe a 10,160% (9,970% no ajuste anterior).

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