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Sinalização do BC pressiona e dólar sobe a R$ 3,60

09/05/2018 18h34

A ausência de um sinal mais forte do Banco Central em relação à alta do dólar intensificou o impulso à moeda vindo do exterior. Com isso, a cotação rompeu mais uma marca, superando R$ 3,60 pela primeira vez em dois anos. O real teve o segundo pior desempenho global nesta sessão, melhor apenas que o fragilizado peso argentino.

Em apenas três pregões, a moeda ganha 2,03%. Em maio, a alta é de 2,64%, que ajuda a elevar para 8,50% a valorização no ano. Em 12 meses, a cotação dispara 12,90%.

Apenas hoje, a alta foi de 0,69%, para R$ 3,5951 no fechamento.

A quarta-feira trouxe de volta as lembranças dos meses em que o real caía à revelia dos mercados externos. Isso porque foram "drivers" internos que pressionaram a moeda hoje. O mercado reagiu ao que considerou uma postura excessivamente comedida do BC sobre a disparada do dólar.

Em entrevista ontem à noite à "GloboNews", o presidente do BC, Ilan Goldfajn, classificou a subida do dólar como "normal" e parte de um processo que afeta ainda outros emergentes, em meio a uma tendência global de ganhos para a divisa americana. Ilan reiterou que a oferta de swaps cambiais visa garantir bom funcionamento do mercado de câmbio. Na mesma ocasião, o presidente do BC sinalizou que a Selic cairá na próxima semana, esfriando especulações de que o a autoridade monetária poderia adotar uma postura mais conservadora e manter os juros estáveis.

"O mercado esperava uma fala mais contundente do Ilan", diz o operador de câmbio de um grande banco. "Não vi atenção devida ao movimento do câmbio, que é de certa forma especulativo. E com tudo isso ainda indicou que o juro volta a cair. [...] Isso está provocando um 'steepening' [aumento de inclinação via alta de juros longos] na curva de DI", destaca o profissional, para quem a inação de Ilan piorou a dinâmica de ambos os mercados.

O BC até anunciou no começo deste mês que poderá injetar dólares no mercado futuro para "suavizar" os movimentos do câmbio. Antes, ao Valor, Ilan já havia dito que não permitiria uma dinâmica "perversa" no mercado cambial. Mas desde então a escalada do dólar apenas se intensificou, a despeito da possibilidade de injeção de quase US$ 3 bilhões no mercado futuro via oferta líquida de swaps cambiais, o que não ocorre há um ano.

Há pouco, apesar da nova alta do dólar, o BC anunciou que amanhã disponibilizará os mesmos 8.900 contratos de swap cambial que vem ofertando desde o começo do mês. O risco é que a ausência de atuação extra via swaps deixe o câmbio mais vulnerável a um IPCA eventualmente abaixo do esperado. A leitura de abril do índice de inflação será divulgada amanhã.

"O BC parece bastante confiante no cenário benigno para a inflação. Mas talvez esses riscos aos preços não sejam tão enviesados para baixo", diz Italo Lombardi, estrategista do Crédit Agricole em Nova York. "Há um risco de a credibilidade do BC ser arranhada à frente, se, de forma inesperada, a inflação refletir a depreciação cambial. E isso fica mais possível à medida que o real não para de se desvalorizar."

O Credit Suisse também aponta essa aparente "falta de desejo" do BC de reagir aos riscos inflacionários como um fator a pesar sobre a taxa de câmbio. Isso porque se acredita que o "pass-through" fica historicamente mais baixo quando a capacidade utilizada da economia está "fraca", como agora. E com a inflação rodando "bem abaixo" do limite inferior da banda de tolerância do BC, uma mudança na política monetária parece improvável.

Em relatório, o estrategista de câmbio Alvise Marino diz que, dado o contexto, uma subida do dólar para R$ 3,71 parece "razoável" por ora.

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