ipca
0,48 Set.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Dólar cai a R$ 3,54 com trégua em moedas emergentes; Bolsa sobe forte

10/05/2018 14h22

O ajuste global de baixa no dólar traz respiro ao câmbio brasileiro nesta sexta-feira, com o dólar negociado na casa de R$ 3,54 apenas um dia depois de ter flertado com o nível de R$ 3,61.

A alta menor que a esperada da inflação nos Estados Unidos serve de argumento para investidores que queriam realizar parte dos lucros com a escalada global do dólar nas últimas semanas. Não à toa, as moedas emergentes que mais haviam perdido terreno estão entre os destaques de ganhos nesta quinta-feira.

Pouco depois das 14 horas, o dólar comercial caía 1,33%, a R$ 3,5472. Na mínima, ficou em R$ 3,5427.

No mercado futuro, o dólar para junho cedia 1,22%, a R$ 3,5550.

No exterior, o dólar perdia 2,1% ante o rublo russo, 1,7% frente ao rand sul-africano, 1,5% contra os pesos chileno e colombiano e 1,4% ante a moeda mexicana. O real vem em seguida. Essas moedas lideravam a lista de maiores altas nos mercados globais de câmbio.De 33 pares do dólar, apenas libra esterlina (-0,5%) e peso filipino (-0,1%) se depreciam hoje.

Em conjunto, uma cesta de divisas emergentes subia 1,11% ante o dólar nesta quinta-feira. É o melhor desempenho desde 19 de maio do ano passado (+1,18%).

No Brasil, fatores técnicos indicavam que um ajuste na taxa de câmbio era iminente, embora algumas análises ainda sugiram que o dólar tem mais espaço para altas.

Bolsa

Numa sessão amplamente positiva até o momento, o Ibovespa opera em forte alta, batendo 86 mil pontos, impulsionado por mais um dia de ganhos expressivos nas ações da Petrobras. Também chama a atenção o forte giro financeiro do índice e o baixo número de ações no campo negativo.

Pouco depois das 14 horas, o Ibovespa avançava 2,22%, aos 86.140 ponto, na máxima. O volume de negociações do índice já soma R$ 7,2 bilhões, o que implica num giro de R$ 12,8 bilhões ao fim do pregão.

Petrobras PN, em alta de 5,21%, é o destaque do dia, e Petrobras ON avançava 6,14%

Para Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor, os papéis da estatal reagem às boas perspectivas de melhora contínua nos resultados trimestrais ao longo do ano e de prosseguimento no programa de desinvestimentos. "Além disso, recomendações positivas de casas dão um viés favorável aos papéis."

Hoje, o Bank of America Merrill Lynch elevou a recomendação para as ações da Petrobras, de neutra para compra, estabelecendo preço-alvo em R$ 35, vindo de R$ 26 para os papéis ordinários e de R$ 27,20 para os preferenciais. O UBS, por sua vez, afirma que a estatal está entre as mais beneficiadas da América Latina pela alta do petróleo.

Ainda na ponta positiva do índice, destaque para Gol PN (+8,68%), reagindo à queda de mais de 1% no dólar ante o real hoje ? em geral, papéis de companhias aéreas são sensíveis ao câmbio, uma vez que a variável afeta diretamente a linha de custos desse tipo de empresa. Vale lembrar que os papéis da aérea acumulavam perda de 12,8% na semana até o pregão de quarta-feira.

Outros destaques de alta são EDP Energias do Brasil (+6%) e Braskem PNA (+3,37%) ? ambas reagindo à divulgação dos resultados trimestrais. Além disso, Itaú Unibanco PN (+2,46%) e Bradesco PN (+2,44%) recuperam parte das perdas registradas nos últimos dias.

Ao contrário de seus pares, Banco do Brasil ON perdia 3,16% após a divulgação de seu balanço referente ao primeiro trimestre. Os dados, embora em linha com o esperado, apresentam uma composição mais fraca, de acordo com avaliação do BTG Pactual.

Outra queda expressiva é vista em Sabesp ON (-5,96%), após a Arsesp, agência reguladora do Estado de São Paulo, anunciar reposicionamento tarifário de 3,507% para a companhia, taxa inferior aos 9,52% defendidos pela empresa e até mesmo em relação aos 4,77% apontados pelo próprio órgão em nota técnica preliminar divulgada em março.

Juros

O bom humor nos mercados internacionais abre espaço para um dia de alívio nos juros futuros. Em queda desde a abertura da sessão, as taxas intensificaram o movimento após sinais de que a inflação nos EUA pode não justificar um aperto monetário mais duro por lá.

Desta vez, é o exterior que dita o rumo das taxas, já que a cena política no Brasil ainda é rodeada de incertezas. Hoje, o índice de preços ao consumidor dos EUA subiu menos que o esperado em abril, atenuando as preocupações com uma alta de juros mais forte no país.

Ainda assim, o risco pesa no mercado, que também teme os efeitos da alta das commodities e de guerras comerciais. Até por isso, o sinal positivo desta quinta-feira não reverte a pressão dos últimos dias, o que fica claro no nível das taxas. As taxas com vencimento a partir de janeiro de 2025, por exemplo, têm seu segundo dia acima dos dois dígitos, o que não era visto desde janeiro deste ano.

Outros indicadores de percepção de risco também seguem elevados. De acordo com dados da Anbima, o juro real da NTN-B de longo prazo opera nos maiores níveis em cerca de cinco meses. O título com vencimento em 2055 fechou ontem com taxa de 5,4045%, o mais elevado desde que bateu 5,440% em 20 de dezembro de 2017.

Diante desse momento de mais cautela, o Tesouro Nacional tem feito ofertas relativamente pequenas de títulos prefixado, como é a NTN-F. Hoje, o lote de 450 mil papéis foi absorvido integralmente pelo mercado e as taxas até ficaram em linha com consenso de mercado.

Por outro lado, os investidores cobram prêmio crescente do Tesouro para as LFTs, que são atreladas a Selic. De acordo com operadores, o mercado pede um prêmio e força essas taxas para cima porque a taxa básica segue baixa e ainda se espera corte na decisão do Copom na semana que vem. A taxa de corte da LFT no leilão foi a mais alta desde junho do ano passado.

Hoje, essa perspectiva também é beneficiada pelo resultado baixo do IPCA de abril. O indicador de inflação acelerou para 0,22%, ante 0,09% em março, mas ficou abaixo da média de 0,28% esperada por economistas ouvidos pelo Valor Data.

O DI janeiro de 2019 caía a 6,270% (6,295% no ajuste anterior) e o DI janeiro de 2020 cedia a 7,220% (7,340% no ajuste anterior). Já o DI janeiro de 2021 tinha queda a 8,260% (8,440% no ajuste anterior). E o DI janeiro de 2025 estava em 9,960%.

Newsletters

Receba dicas para investir e fazer o seu dinheiro render.

Quero receber

Mais Economia