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Dólar tem maior queda em três meses

A trajetória em linha reta de alta do dólar sofreu uma interrupção nesta quinta-feira (10), com a moeda registrando ante o real a maior queda em cerca de três meses. Ante uma cesta ampla de divisas emergentes, o dólar teve a mais intensa baixa em 14 meses.

O argumento para a firme correção veio pela manhã, com dados mais fracos de inflação nos Estados Unidos. Os números amenizaram receios de que o Federal Reserve precise acelerar o ritmo de altas de juros. Recentemente, essa discussão ganhou força à medida que os preços do petróleo bateram seguidamente máximas desde 2014eajudou o dólar a se fortalecer tanto no G-10 quanto entre emergentes.

Se a baixa do dólar desta quinta caminha para se tornar tendência ainda é difícil cravar, embora seja pouco provável. Os juros americanos tendem a continuar em alta, já a política monetária dos EUA seguirá mais apertada em termos relativos, uma vez que dados na Europa e no Japão têm decepcionado. E, no mundo emergente, há um conjunto de incertezas: políticas (Brasil, México, Colômbia), econômicas (Argentina, Turquia) e geopolíticas (Rússia), apenas para citar algumas.

As perspectivas para 2019 tampouco parecem promissoras, considerando o bloco emergente. Em relatório, a consultoria Capital Economics diz que em 2018 o crescimento global se manterá, mas o aperto das condições monetárias nos EUA e a desaceleração da China cobrarão seu preço. "A expansão global vai perder ritmo em 2019 e 2020", diz a consultoria.

Isso se torna particularmente preocupante porque, historicamente, as moedas emergentes são vulneráveis aos ciclos econômicos. A valorização secular entre 2004 e 2011 foi interrompida apenas na crise de 2008/2009. A partir de 2011, os emergentes perderam fôlego, o que teve impacto direto sobre as moedas.

Em 2017, a tese do crescimento sincronizado levou as divisas a máximas em anos. Mas isso até o "sell-off" do mercado de ações de janeiro/fevereiro de 2018. Desde então, aumentou o coro dos que acreditam que a melhor fase do ciclo econômico ficou para trás. E, não por acaso, as moedas emergentes caem 6,4% desde então.

No fechamento doméstico, o dólar comercial caiu 1,36%, a R$ 3,5461. É a maior queda desde 14 de fevereiro deste ano (-2,43%).

A queda do dólar aqui ocorreu a despeito de nova leitura abaixo do esperado no IPCA. Ontem, analistas chegaram a citar os riscos de que uma taxa mais baixa pudesse elevar sobremaneira apostas de corte de juros na semana que vem. E o afrouxamento monetário tem sido citado como um fator a pesar sobre o câmbio.

De forma ampla, um conjunto de 12 divisas emergentes subia, no fim da tarde desta quinta, 1,27%. É o melhor desempenho para um dia desde 15 de março de 2017 (1,44%).

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