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Juros futuros têm primeiro dia de alívio no mês de maio

10/05/2018 17h47

O mercado de juros futuros finalmente teve um dia de alívio no mês de maio. As taxas voltaram a cair - e desta vez com força e de maneira generalizada - após oito sessões sem trégua.

Na ponta mais longa da curva de juros, a queda foi uma das mais acentuadas de 2018. O DI janeiro de 2025 recuou 23 pontos-base, a 9,940%, o que não era visto desde a baixa de 30 pontos-base em 24 de janeiro, quando o mercado era tomado pela euforia com a condenação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Desta vez, foi o exterior que abriu espaço para o "respiro" nas taxas, já que a cena política por aqui ainda é rodeada de incertezas. O gatilho do movimento veio com o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, que subiu menos que o esperado em abril, atenuando as preocupações com uma alta de juros mais forte no país.

O quadro, entretanto, ainda é de cautela. O próprio nível das taxas evidencia um ambiente sob mais pressão. Parte dos juros dos DIs - a partir de janeiro de 2025 - estão rodando em dois dígitos ou, pelo menos, bem perto disso.

"A dinâmica ainda não é nada confortável, já que o exterior não é tão benigno e a situação local, política e fiscal, segue bem fragilizada", diz o estrategista-chefe da Coinvalores, Paulo Nepomuceno.

Outros indicadores de percepção de risco também seguem elevados. De acordo com dados da Anbima, o juro real da NTN-B de longo prazo opera nos maiores níveis em cerca de cinco meses. O título com vencimento em 2055 fechou, na quarta (9), com taxa de 5,4045%, o mais elevado desde que bateu 5,440% em 20 de dezembro de 2017.

Diante desse momento de mais cautela, o Tesouro Nacional tem feito ofertas relativamente pequenas de títulos prefixados, como é a NTN-F. Hoje, o lote de 450 mil papéis foi absorvido integralmente pelo mercado e as taxas até ficaram em linha com consenso de mercado.

"A atuação do Tesouro evita colocar mais pressão no mercado, em um momento de nervosismo", diz o executivo de uma corretora bastante ativa no segmento.

Selic

A escalada recente do dólar tem enfraquecido as apostas de nova queda da Selic na reunião do Copom, na semana que vem. Na visão de uma parcela do mercado, a deterioração do balanço de riscos, com o ambiente externo mais adverso para os países emergentes, justificaria a atitude mais conservadora da autoridade monetária.

Hoje, esse alerta foi atenuado tanto pelo alívio no dólar quanto pelo resultado baixo do IPCA de abril. O indicador de inflação acelerou para 0,22%, ante 0,09% em março, mas ficou abaixo da média de 0,28% esperada por economistas ouvidos pelo Valor Data.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve ser encorajado a "honrar sua diretriz e reduzir a taxa Selic" de 6,50% para 6,25% quando se reunir na semana que vem, diz o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs. Essa expectativa é justificada pela inflação benigna e mais baixa que o esperado entre janeiro e abril, além da queda das expectativas inflacionárias em 2018 e 2019. O quadro conta ainda com a desaceleração da dinâmica da atividade econômica.

"A inflação de serviços e o núcleo [da inflação] também tiveram resultados visivelmente abaixo das expectativas e o índice de difusão do núcleo de serviços ficou mais moderado a partir de março", acrescenta Ramos. No entanto, a recente pressão sobre o real brasileiro e a instabilidade dos mercados financeiros globais devem levar o Copom a endurecer a linguagem e sugerir que o longo ciclo de flexibilização já tenha terminado. "Sem cortes adicionais no horizonte previsível", resume Ramos.

No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro de 2019 caiu a 6,265% (de 6,295% no ajuste anterior), oDI janeiro de 2020 cedeu a 7,220% (7,340% no ajuste anterior), oDI janeiro de 2021 recuou a 8,260% (8,440% no ajuste anterior) e oDI janeiro de 2023 caiu a 9,450% (9,680% no ajuste anterior).

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