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Prejuízo da BRF diminuiu 60% no 1º trimestre, para R$ 114 milhões

10/05/2018 23h49

A BRF bem que esperava apresentar o resultado do primeiro trimestre como a constatação de que, após dois anos de desempenhos fracos e prejuízos, uma virada já está em curso. E a empresa até conseguiu ampliar sua participação de mercado no Brasil. Mas continuou no vermelho e queimando caixa. Além disso, os efeitos deletérios da terceira etapa da Operação Carne Fraca só deverão aparecer claramente nos resultados do segundo trimestre.

No primeiro trimestre, a BRF teve prejuízo líquido de R$ 114 milhões. A perda ficou acima do que os analistas esperavam, mas representou uma melhora em relação ao mesmo período de 2017, quando o prejuízo foi de R$ 286 milhões. Nos primeiros três meses deste ano, a companhia voltou a queimar caixa, e seu fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 238 milhões, o que dificulta o processo de redução do ainda elevado índice de endividamento.

Em termos de vendas, a BRF reportou um crescimento de 5% na receita líquida na comparação anual. Com mais volumes comercializados no Brasil, Turquia e Ásia, a receita líquida somou R$ 8,2 bilhões no primeiro trimestre, ante R$ 7,8 bilhões um ano antes. Apesar do aumento das vendas em volume no Brasil, principal mercado de atuação da BRF, o "mix" de produtos vendidos no país foi mais "pobre", com mais produtos in natura. Isso derrubou o preço médio.

Nos mercados muçulmanos, outro mercado-chave da BRF, houve uma melhora de preços, o que compensou parcialmente o preço médio mais baixo no Brasil. No primeiro trimestre, a One Foods (que reúne as vendas e negócios da BRF nos mercados muçulmanos) registrou lucro antes de juros e impostos (Ebit, na sigla em inglês) de R$ 55 milhões. Há um ano, a One Foods havia reportado um Ebit negativo de R$ 44 milhões graças aos estoques elevados de frango no Oriente Médio. Com os preços melhores, a margem Ebit da One Foods ficou positiva em 3,1%.

Como um todo, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da BRF totalizou R$ 783 milhões, aumento de 54,8% na comparação com os R$ 506 milhões do mesmo período do ano passado. A margem Ebitda melhorou, de 6,5% para 9,5%.

Em relatório, o CEO interino da BRF, Lorival Luz, destacou a recuperação da rentabilidade e das vendas. Por outro lado, o executivo admitiu que, devido ao cenário setorial ? com embargos da União Europeia e da Rússia ?, a empresa terá "trimestres extremamente desafiadores" pela frente.

No documento que acompanhou o balanço, a BRF também reconheceu que o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado em doze meses) está longe de ideal. Em março, atingiu 4,44 vezes, praticamente estável em relação ao índice de 4,46 vezes de dezembro. A empresa disse estar fazendo esforços para reduzir o índice.

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