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Dólar deixa trégua e volta a testar R$ 3,60; bolsa cai

A trégua de ontem (10) no mercado brasileiro de câmbio teve vida curta, e nesta sexta-feira (11) o dólar já anula toda a baixa da véspera, aproximando-se novamente de R$ 3,60, nas máximas em dois anos.

Às 13h20, o dólar comercial subia 1,45%, a R$ 3,5975. Na máxima, foi a R$ 3,5995. No mercado futuro, a taxa do contrato com vencimento em junho tinha alta de 1,21%, a R$ 3,601.

Ontem, a moeda havia se desvalorizado 1,36%, maior queda em cerca de três meses.Apenas nesta semana, o dólar acumula alta de 2%, elevando os ganhos no mês para 2,61% e, no ano, para 8,47%.

O pregão é de dólar forte contra algumas moedas específicas, como lira turca, peso mexicano e, de novo, o peso argentino - cada uma com seus elementos de risco. No caso do real, analistas voltam a citar demanda por proteção contra um cenário em que o Banco Central evite um sinal mais claro sobre fim do ciclo de distensão monetária.

O BC anuncia a decisão sobre a Selic na próxima quarta-feira (16). O mercado reagiu mal nesta semana a declarações do presidente da instituição, Ilan Goldfajn, que em entrevista à "GloboNews" classificou a subida do dólar como "normal" e manteve a porta aberta para mais queda da Selic.

Para Gustavo Rangel, economista-chefe do ING em Nova York, o que pode alterar novamente o valor relativo do real nas próximas semanas é a sinalização a ser dada pelo BC sobre a política monetária, com riscos de adicionar "significativo" viés de baixa para o câmbio caso opte por preservar a possibilidade de mais quedas do juro.

Segundo ele, a depreciação do real nas últimas semanas ocorreu em parte também pela postura do BC em relação à política monetária. "Mas, para além da decisão da semana que vem, a perspectiva para o real continua sob o peso do persistente risco político, que deve elevar a demanda por 'hedge' cambial antes das eleições de outubro", afirma o economista em nota a clientes, o qual vê até lá chances de o dólar voltar a testar máximas históricas em torno de R$ 4.

Ibovespa

Num dia de movimentações intensas e grande repercussão dos balanços trimestrais de diversas companhias, o Ibovespa não sustentou a alta verificada no início da sessão e opera em queda.

Por volta de 13h20, o Ibovespa recuava 0,72%, atingindo nova mínima no dia, aos 85.242 pontos, após atingir máxima de 86.406 pontos.

Ações do setor educacional têm uma sessão amplamente negativa. Kroton ON lidera as perdas do Ibovespa, com queda de 9,58%. A empresa registrou queda de 3,7% no lucro do primeiro trimestre, para R$ 475,4 milhões, e projeta queda nos principais indicadores financeiros neste ano em relação a 2017. Na esteira do mau desempenho da rival, Estácio ON (-6,13%) tem a segunda maior desvalorização do índice.

Sabesp ON (-4,91%) também reage ao balanço trimestral, com queda de 13,9% no lucro, para R$ 580,4 milhões ? o Goldman Sachs afirma que o resultado veio abaixo do esperado.

No lado oposto, Natura ON lidera os ganhos do índice. O Itaú BBA elevou a recomendação para os papéis para compra e estabeleceu preço-alvo de R$ 40 após o balanço trimestral da companhia, com lucro de R$ 24,3 milhões e Ebitda consolidado de R$ 318,9 milhões. A ação sobe 15,86% no horário, para R$ 36,38.

B2W ON (+9,48%) também reage aos resultados trimestrais ? o Credit Suisse avalia que a companhia está "no caminho certo" para capturar crescimento.Petrobras ON (+2,6%) dá continuidade ao movimento de alta nos papéis verificado desde o início da semana. Ontem, o presidente da empresa, Pedro Parente, afirmou que a estatal está mais perto do acordo com a União sobre a cessão onerosa.

Juros

Os juros futuros voltaram a operar em alta no início da tarde desta sexta-feira, deixando para trás os ajustes de baixa do começo do dia. De acordo com operadores, as taxas passavam por uma correção pelo segundo dia consecutivo, após saltos recentes, quando o mercado teve de enfrentar mais uma rodada de alta do dólar e de piora do ambiente lá fora.

O avanço da divisa americana, hoje em R$ 3,59, é um dos principais fatores que tem alimentado uma postura mais cautelosa sobre a trajetória da Selic. Isso se reflete no aumento das apostas sobre uma antecipação do ciclo de alta de juros. Atualmente, é precificada um aperto de aproximadamente 40 pontos-base em 2018 e de 240 pontos-base ao longo de 2019.

"O mercado opera de olho na alta do dólar, que pode gerar uma pressão inflacionária num segundo momento, o que abriria espaço para a atuação mais firme do Banco Central", diz o trader Matheus Gallina, da Quantitas. O risco em torno da eleição já é algo que pesa nos preços, mas o que tem alimentado ainda mais o aumento do prêmio de risco é a mudança de patamar do dólar, acrescenta.

Cabe dizer que o cenário-base ainda é de que a Selic só voltará a subir em meados do ano que vem, por causa do ambiente de inflação contida e recuperação ainda lenta da economia. "Mas o risco em torno do cenário tem aumentado porque existe preocupação com um dólar alto por um longo período e até de subir ainda mais", diz.

Alguns profissionais de mercado esperam que, na semana que vem, o Copom mostre um tom mais duro em relação ao fim do ciclo de queda de juros, podendo até mencionar a alta do dólar. Mas, por ora, a expectativa majoritária ainda é de corte da taxa básica de juros no anúncio da quarta-feira que vem, do nível de 6,50% para 6,25%, apesar das dúvidas no mercado sobre o efeito da depreciação do câmbio na trajetória da Selic. Nos juros futuros, a probabilidade desse corte ser confirmado voltou a rodar perto de 80%, depois de cair 61% nesta semana.

O cenário para a política monetária "sofreu mudanças relevantes" desde a última reunião do Copom, de acordo com a equipe de pesquisa econômica do Itaú. No entanto, o colegiado ainda deve manter o plano de cortar a Selic na semana que vem, em 0,25 ponto percentual, para 6,25%.

Por volta das 13h30, o DI janeiro/2019 sobe a 6,305% (6,260% no ajuste anterior); oDI janeiro/2020 avança a 7,280% (7,220% no ajuste anterior); oDI janeiro/2021 opera a 8,330% (8,260% no ajuste anterior); oDI janeiro/2023 tem taxa de 9,490% (9,440% no ajuste anterior);o DI janeiro/2025 marca a 9,980% (9,940% no ajuste anterior).

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