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Dólar dispara a R$ 3,60, máxima em dois anos

11/05/2018 17h27

(Atualizada às 17h50) O mercado correu para o dólar nesta sexta-feira, movimento que não só anulou a queda de ontem e como levou a cotação a renovar a máxima de fechamento em dois anos.

No pico do dia, a divisa foi a R$ 3,6111. No fechamento, desacelerou um pouco os ganhos, mas ainda subiu para R$ 3,6011, alta de 1,55%. É a valorização mais forte desde 7 de dezembro do ano passado (+1,74%).

Na semana, o dólar se apreciou 2,20%, maior alta desde a semana finda no último dia 9 de fevereiro (+2,67%). Em maio, a moeda sobe 2,81%, intensificando os ganhos em 2018 para 8,68%. Em 12 meses, a divisa americana salta 14,45%.

Com exceção de uma ligeira queda logo após a abertura, o dólar operou em alta durante toda a sessão desta sexta-feira. Mas ampliou consideravelmente os ganhos na parte da tarde. Esse fôlego pôde ser visto também no exterior, onde divisas como lira turca, peso mexicano e peso argentino foram às mínimas, junto com o real.

No caso da moeda brasileira, foi citado algum receio de que candidatos de esquerda ganhem terreno em pesquisa CNT/MDA para Presidência da República a ser divulgada na próxima segunda-feira.

E analistas voltaram a citar demanda por proteção contra um cenário em que o Banco Central evite um sinal mais claro sobre fim do ciclo de distensão monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará na próxima quarta-feira a decisão sobre a taxa básica de juros (a Selic). A expectativa do mercado é que o Copom promova novo corte de 0,25 ponto percentual, para uma nova mínima recorde de 6,25% ao ano. Mas alguns analistas dizem já haver espaço para o colegiado manter os juros estáveis agora, dados os riscos à inflação vindos da depreciação de 13% da taxa de câmbio desde o fim de janeiro.

"O BC teria argumentos para parar agora", diz Joaquim Kokudai, gestor da JPP Capital. "Além de gerar mais volatilidade na moeda, acho que a economia real sequer tem algum benefício, já que o juro real de longo prazo poderia subir ainda mais [com um corte da Selic]", completa.

A queda dos diferenciais de juros entre o Brasil e o mundo - na esteira justamente do recuo da Selic a mínimas históricas - foi incorporada pelo Itaú Unibanco em sua revisão de cenário divulgada nesta sexta-feira. E, com isso, o banco passou a ver dólar mais alto até o fim do ano - de R$ 3,25 para R$ 3,50.

Mesmo mais alta, essa projeção ainda é vulnerável a riscos tanto macroeconômicos (interno e externos) quanto relacionados à própria dinâmica do mercado cambial. "O cenário de diferencial de juros muito baixo ainda é muito recente, e existem incertezas quanto ao impacto total que ele pode ter sobre o mercado cambial", afirma o Itaú.

Estrategistas do Morgan Stanley acreditam que a decisão em si de corte de 0,25 ponto percentual do juro básico não provocaria significativa pressão no real, já que no mercado de derivativos essa já é uma aposta dada como certa. Por outro lado, é o risco de o BC manter a porta aberta para mais afrouxamento monetário que preocupa.

Oficialmente, o Morgan Stanley ainda trabalha com taxa de câmbio de R$ 3,10 para o fim deste trimestre e de R$ 3,40 ao término de setembro, mês que antecede as eleições presidenciais.

Segundo os profissionais do banco, o prêmio de risco do real já está entre os maiores do universo emergente, o que em tese diminui as chances de mais alta. Além disso, há expectativa de que o dólar volte a cair no médio prazo em todo o mundo, o que tenderia a dar suporte à taxa de câmbio brasileira. A melhora dos fundamentos da economia doméstica também é um motivo a frear piora da dinâmica da taxa de câmbio, dizem.

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