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Juros futuros fecham a semana em alta com preocupação sobre Selic

O mercado de juros futuros termina a semana mais preocupado com a trajetória de juros no Brasil. Ao longo desta sexta-feira, as taxas dos contratos de DI intensificaram a alta, principalmente em vértices intermediários, querefletem apostas para numa futura normalização das condições monetárias quando a Selic deve voltar a subir.

O DI janeiro de 2021, contrato mais negociado do dia, avançou a 8,330% (8,260% no ajuste anterior) no fim da sessão regular, ainda próximo da máxima no dia de 8,370%.

De acordo com operadores, as taxas não conseguiram escapar de mais uma rodada de firme alta do dólar. O avanço da divisa americana, hoje, em R$ 3,60, é um dos principais fatores que tem alimentado uma postura mais cautelosa sobre a trajetória da Selic. Isso se reflete no aumento das apostas sobre uma antecipação do ciclo de alta de juros.

Atualmente, é precificado um aperto de aproximadamente 40 pontos-base em 2018, bem mais elevado que os cerca de 10 pontos na sexta-feira passada (4). Para 2019, os juros futuros projetam 240 pontos-base de alta da Selic ante de cerca de 200 pontos há uma semana.

"O mercado opera de olho na alta do dólar, que pode gerar uma pressão inflacionária num segundo momento, o que abriria espaço para a atuação mais firme do Banco Central", diz o trader Matheus Gallina, da Quantitas. O risco em torno da eleição já é algo que pesa nos preços, mas o que tem alimentado ainda mais o aumento do prêmio de risco é a mudança de patamar do dólar, acrescenta.

Cabe dizer que o cenário-base ainda é de que a Selic só voltará a subir em meados do ano que vem, por causa do ambiente de inflação contida e recuperação ainda lenta da economia. "Mas o risco em torno do cenário tem aumentado porque existe preocupação com um dólar alto por um longo período e até de subir ainda mais", acrescenta Gallina.

O sinal de alerta também se estende para o mercado de títulos públicos. A chamada inflação implícita, que é projetada pelas NTN-Bs, tem caminhado para níveis mais elevados. E mesmo os dias de alívio serve apenas para atenuar esse avanço. Foi o que aconteceu na quinta (10) com a inflação projetada pela NTN-B com vencimento em agosto de 2020, que caiu do pico de 4,67% para 4,53%, mas ainda assim continua acima dos 4,41% de quase um mês atrás.

Alguns profissionais de mercado esperam que, na semana que vem, o Copom mostre um tom mais duro em relação ao fim do ciclo de queda de juros, podendo até mencionar a alta do dólar. Mas, por ora, a expectativa majoritária ainda é de corte da taxa básica de juros no anúncio da quarta-feira (16), do nível de 6,50% para 6,25%, apesar das dúvidas no mercado sobre o efeito da depreciação do câmbio na trajetória da Selic. Nos juros futuros, a probabilidade desse corte ser confirmado voltou a rodar acima de 70%, depois de cair 61% nesta semana.

"Esperamos ver uma diretriz relativamente 'hawkish' de política monetária no comunicado, com o objetivo de limitar o risco de uma nova rodada hipotética de fraqueza cambial após o anúncio do Copom", diz o economista-chefe do Rabobank Brasil, Maurício Oreng. "O plano de voo, isto é, a pausa dos cortes em junho, provavelmente será mais enfatizado agora do que em reuniões anteriores."

Às 16h, no fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 subiu a 6,310% (de 6,260% no ajuste anterior), oDI janeiro/2020 avançou a 7,270% (7,220% no ajuste anterior), oDI janeiro/2021 operou a 8,330% (8,260% no ajuste anterior), oDI janeiro/2023 tinha taxa de 9,490% (9,440% no ajuste anterior) eo DI janeiro/2025 marcou 9,970% (9,940% no ajuste anterior).

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