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Juros futuros tem forte alta à espera da decisão do Copom

A semana de decisão do Copom começou com firme alta dos juros futuros. Nesta segunda-feira (14), a persistente alta do dólar e a piora do ambiente externo para ativos de risco voltaram a pesar sobre a percepção de risco no mercado.

Esses fatores, inclusive, devem levar o Copom a adotar um discurso mais duro sobre seus próximos passos. Para especialistas, é a decisão desta quarta-feira (16) que deve selar as apostas sobre o fim dos cortes de juros no Brasil.

A queda final da taxa - de 6,50% para 6,25% - ainda é a expectativa majoritária no mercado para esta quarta-feira, mas já não atrai tanta convicção. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação entre os investidores de que o Copom pode ter de antecipar uma alta de juros, esperada anteriormente só para meados de 2019.

Sinal de uma postura mais defensiva do mercado, o avanço das taxas afetou, praticamente, todos os vencimentos da curva de juros. O DI janeiro de 2020 - que embute apostas para a Selic até o fim do ano que vem - subiu 11 pontos-base para 7,400%. E num prazo mais longo, o DI janeiro de 2025 voltou a rodar com dois dígitos, a 10,050%.

"O mercado ainda está incomodado com o dólar mais forte (...) o BC fica numa situação mais delicada, divido entre cortar a Selic, enquanto "intervém" no câmbio ou não cortar e perder a credibilidade com uma mudança de racional de discurso", diz o operador de uma corretora bastante ativa no mercado.

Em meio a tamanha preocupação, o Copom deve ser mais explícito sobre o fim do ciclo de corte de juros. Em suas últimas comunicações, o colegiado já havia indicado que a interrupção do processo seria "adequada" para as reuniões posteriores a maio, "salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação". Desta vez, o colegiado deve alterar o texto para deixar poucas dúvidas sobre os próximos passos, mesmo que o Copom mantenha algum grau de liberdade e continue a se direcionar pelos indicadores econômicos.

Uma evidência da mudança de tom, para algo mais cauteloso, deve vir com a descrição do externo. Até a ata da última reunião, o Copom colocava o cenário internacional como "favorável", na medida em que a atividade econômica crescia globalmente. E esse quadro contribuía para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes. No entanto, esse trecho deve ser completamente atualizado, na avaliação de Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos.

"O cenário para emergentes é mais desafiador, os riscos geopolíticos no mundo são maiores e isso tem impactado os ativos brasileiros", descreve a especialista.

Dólar

O impacto da escalada do dólar no cenário de inflação também pode ganhar espaço na comunicação do Copom. Esse é um dos principais motivos, na avaliação de operadores, para o avanço dos juros futuros, projetados na B3. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já afirmou que as decisões de juros se baseiam em inflação, expectativas e atividade, minimizando assim o efeito inicial da alta do dólar.

Até o momento, calcula-se que a projeção de inflação do Copom deve ficar estável ou pouco alterada para 2019, ano que ganha relevância para condução da política monetária. Na ata da última reunião do Copom e no último relatório de inflação, o IPCA esperado para o ano que vem estava em 4,1%. O que deve mudar, de maneira moderada, é a estimativa de inflação deste ano, de 3,8% para 4,0% em 2018, de acordo com dados do Itaú.

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